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Leila Guenther – Amuleto

nem trevo de quatro folhas foto de filho, mãe ou marido medalhinha da Virgem lentilha do ano novo passado bilhete de loteria moeda furada origami de pássaro cordão umbilical oração da prosperidade mensagem de biscoito chinês pirâmide de cristal fitinha do senhor do Bonfim folha de arruda caroço de romã olho grego sachê de sal…
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Manuel António Pina – A avó

Tinha ao colo o gato velho cansadamente passando a sua branca mão pelo pelo dele preto e brando Sentada ao pé da janela olhando a rua ou sonhando-a todo o passado passando a passos lentos por ela Dormiam ambos enquanto a tarde se ia acabando o gato dormindo por fora a avó dormindo por dentro
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Gregory Corso – Tenho 25

Com um amor louco por Shelley Chatterton Rimbaud e o ganido carente de minha juventude passou de orelha a orelha: EU ODEIO OS VELHOS POETAS! Especialmente velhos poetas que se retratam que consultam outros velhos poetas que falam de suas juventudes em sussurros, dizendo: – Eu fiz mas isso é passado isso é passado…
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André Oviedo – Caixa-Preta

em algum lugar depois do fim flutuando entre os destroços encontraremos a caixa-preta e poderemos finalmente restituir o passado palavra por palavra como chaves perdidas no tempo a reabrirem as portas que nos trouxeram até aqui
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Joseph Stroud – Lendo Kaváfis sozinho na cama

Eu, também, me lembro do passado, meu quarto iluminado por velas, e da noite em que ela entrou e tocou meu rosto com seu rosto, com boca e língua e lábios, do pomar à noite, do odor das frutas, seus seios – lembra, corpo? – aquele quarto, lembra? – nossos gritos, as velas bruxuleantes? Trad.:…
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Konstantinos Kaváfis – Lembra, corpo…

Lembra, corpo, não só o quanto foste amado,não só os leitos onde repousaste,mas também os desejos que brilharampor ti em outros olhos, claramente,e que tornaram a voz trêmula – e que algumobstáculo casual fez malograr.Agora que isso tudo perdeu-se no passado,é quase como se a tais desejoste entregaras – e como brilhavam,lembra, nos olhos que…
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Adelaide Ivánova – pro meu amante, quando atinge a maioridade

“Pro meu amante, quando atinge a maioridade”, um poema de Adelaide Ivanova que entrelaça amor, memória e consciência do tempo em uma celebração agridoce do amadurecimento.
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Herberto Helder – de “Poemas Canhotos”

o António Ramos Rosa estava deitado na cama contra a parede e deu meia volta sobre si mesmo e ficou de cara voltada contra a parede e fechou os olhos e fechou a boca e ficou todo fechado e então morreu todo fundo e completo de uma só vez e apenas ele no tempo e…
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José Fernando Guedes – Adeus meu pai

Continuo a vislumbrar o olhar que meu pai Me lançou, há tantos anos, lá da janela De onde morava. Eu realmente não vi com precisão Esse derradeiro olhar para mim. Era mais como um grito para dentro Que ele lançava. Meu nome talvez. Me acenou e foi o último acenar seu. Nessa despedida que eu…
