Don Peterson – Compaixão

Ela podia ter meses de sua vida canina,
mas para ser o quê? Ela estava leve como um ninho,
o dia todo sob suas longas orelhas
ouvindo em seu próprio peito um rádio em desalinho.
Na bancada de aço, sabendo o que aconteceria,
ela tentou e tentou levantar-se, como se para
sinalizar que ainda servia, e que deveria
fugir de nossa seleção. Voltei então sua cara
para a minha e vendo ali só amor – que a pequena
loba que ela era conhecia tão bem quanto eu –
ela se deitou e deixou que a penetrasse a agulha.
E amor foi certamente o que seu olhar devolveu
enquanto ficava rígido, e uma brilhante antena
regressava ao centro, deixando de tracejar a folha.

Trad.: Nelson Santander

Mercies

She might have had months left of her dog-years,
but to be who? She’d grown light as a nest
and spent the whole day under her long ears
listening to the bad radio in her breast.
On the steel bench, knowing what was taking shape
she tried and tried to stand, as if to sign
that she was still of use, and should escape
our selection. So I turned her face to mine,
and seeing only love there – which, for all
the wolf in her, she knew as well as we did –
she lay back down and let the needle enter.
And love was surely what her eyes conceded
as her stare grew hard, and one bright aerial
quit making its report back to the centre.

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