Tag: Morte
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Abdellatif Laâbi – A Língua Materna

Faz vinte anos que vi minha mãe pela última vezEla se deixou morrer de fomeDizem que todas as manhãsela tirava o lenço da cabeça e batia sete vezes no chãoamaldiçoando o céu e o TiranoEu estava na cavernaonde o condenado lê nas sombrase pinta nas paredes o bestiário do futuroFaz vinte anos que vi minha…
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Mary Oliver – Robert Schumann

Mal passa um dia sem que eu pense neleno hospício: mais jovem do que sou agora, trilhando a longa estradada loucura em direção à morte. Sua música explode pelo mundo todo, de um modo que ele nunca imaginou. E agora compreendoalgo tão assustador e maravilhoso – como a mente se apega ao caminho conhecido, precipitando-sepelos…
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Jules Laforgue – O silêncio azul

“O silêncio azul”, um poema de Jules Laforgue sobre a efemeridade da existência humana diante da imensidão do universo, onde a vida e suas criações se perdem no vasto silêncio do tempo e do espaço.
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Linda Pastan – Funeral Outonal

Funeral Outonal Para AgO mundo está se despindode suas mil peles.A cobra fica nua,e as agulhas do pinheiro caem como dentes de um pente partido.Os fantasmas das folhas mortasnão assombram ninguém. Impossívelentregá-lo ao tempo,deixá-lo aprisionado em uma árvore morta.Nenhuma metafísica nos preparoupara o simples ato de nos virarmose partirmos. Trad.: Nelson Santander Mais do que…
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Manuel António Pina – Eugénio de Andrade no seu leito de morte

“Eugénio de Andrade no seu leito de morte”, um poema de Manuel António Pina
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William Stafford – Viajando na Escuridão

Viajando na escuridão, encontrei um cervomorto à margem da estrada junto ao Rio Wilson.Geralmente é melhor rolá-los para o cânion:aquela estrada é estreita; desviar pode deixar mais mortos. À luz da lanterna traseira, fui aos tropeços até atrás do carroe parei junto àquela massa, uma corsa, morta havia pouco;ela já enrijecera, quase fria.Arrastei-a para fora…
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Franny Choi – Pós-morte

Para responder à sua pergunta, sim, me vejo querendo cada vez menos transar com o rapaz morto que foi meu antes de não ser mais nada. Ele é nove anos mais novo do que eu agora – um garoto que ainda fuma baseados em seu dormitório; o que quero dizer é que ele não faz…
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Adam Zagajewski – Véspera de Ano Novo, 2004

Estás em casa ouvindogravações de Billie Holiday,que segue cantando, melancólica, sonolenta.Contas as horas que aindate separam da meia-noite.Por que os mortos cantam em pazenquanto os vivos não conseguem se libertar do medo? Trad.: Nelson Santander, a partir da versão do poema em inglês traduzido por Clare Cavanagh Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique,…
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Fatimah Asghar – Partição

você é caxemire1 até que queimem sua casa. tomem seus pomares. finquem outra bandeira. até que ninguém se lembre da estrada que leva você de volta. você é indiana até que tracem uma fronteira pelo punjab. até que os capitães britânicos cuspam paki2 enquanto bebem seu chai e adicionem tanta espuma que você não consiga sentir…
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José Paulo Paes – De malas prontas

“De malas prontas”, um poema de José Paulo Paes: uma reflexão íntima sobre o envelhecimento, onde o passado e o presente se entrelaçam, criando um sentimento intrigante e sereno sobre o porvir.