Tag: Morte
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Nicole Sealey – histórico médico

Já estive grávida. Fiz sexo com um homemque fazia sexo com outros homens. Não consigo dormir.Minha mãe tem, e a mãe dela tinha, asma. Meu pai teve um derrame. A mãedo meu pai tem pressão alta.Meus dois avós morreram de diabetes.Eu bebo, mas não fumo. Xanax para flutuar.Propranolol para ansiedade. Meus olhos são ruins.O vento…
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Manuel António Pina – Quinquagésimo ano

“Quinquagésimo ano”, de Manuel António PIna: são muitos dias que passam, e o tempo avança sem pressa. A vida e a literatura se entrelaçam, tornando-se uma só. Restam memórias e livros, mas a busca por sentido continua.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for mortaContinuará o jardim, o céu e o mar,E como hoje igualmente hão-de bailarAs quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomarEm que eu tantas vezes passei,Haverá longos poentes sobre o mar,Outros amarão as coisas que eu amei. Será o mesmo brilho a mesma festa,Será…
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Ian Hamilton – Fantasmas

O caixão lustroso e suntuosamente adornadoDesliza como um novo navio para as profundezas em chamas.Na terra firme,A congregação se ajoelha em murmúrios. Do meu banco no cantoTenho uma visão livre e desimpedidade sua partida.Se você estivesse deitada de ladoTalvez pudesse captar seu olhar insuspeito. No pátio, ao anoitecer,Os tributos florais. Eu poderia jurarTê-la vistoAspirando o…
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Joseph Stroud – Lázaro em Varanasi

De uma pira no flamejante ghat,um cadáver se ergue lentamente entre as chamas. Como se lembrasse de algo importante.Como se quisesse olhar ao redor uma última vez.Como se finalmente tivesse algo a dizer.Como se houvesse uma saída para isso. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 24/06/2019 Mais do que uma leitura,…
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Patrick Philips – Matinê

Após a biópsia,após a cintilografia óssea,após a consulta e o choro, por algumas horas ninguém conseguia encontrá-los,nem mesmo minha irmã,porque acontece que eles tinham ido ao cinema.Passava uma tragédia,um épico, mas no fim eles foram de comédia,com suas cocase pipocas, a velha mulher sussurrando tudo duas vezes,o velho maridocobrindo o ouvido com a mão, enquanto…
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Paulo Henriques Britto – À margem do Douro

Não espero nada, e já me satisfaçocom a consciência de ainda estar em mime não de volta ao nada de onde vim.Por ora, ao menos, ainda ocupo espaço,junto a uma mesa no Cais da Ribeira;permito-me, sem culpa, desfrutarde pão, e queijo, e vinho, e vista, e ar,todo o entorno da minha cadeira.Que os dias que…
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Marie Howe – A menina

Tão perto do fim da minha vida fértil esem filhos — se eu pudesse me lembrar de um dia em que fui inteiramente meninae ainda não mulher — mas não acho que tenha havido um dia assim para mim. Quando olho para a menina que fui, escorrendo em seu maiô,ou andando de bicicleta, pedalando com…
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Ted Kooser – Pais

Meus falecidos pais tentam se manter fora do meu caminho.Quando entro em um cômodo, eles já o deixaram,foram procurar o que precisa ser feitoem outra parte da casa, meu pai com o aspirador,minha mãe com pano de pó e o lustra-móveis. Às vezes,ouço seus velhos chinelos tamborilandopelo corredor, ou vejo por um breve instanteo que…
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Homero Aridjis – Pela Porta Verde

Pela porta verde Para Eva Sofia Sou um indocumentado da eternidade.Sem papéis, ultrapassei as fronteiras do tempo.Detido pelos agentes de imigração do nascimentoe da morte, lancei-meao tabuleiro de xadrez dos dias.Fiscais astutos, em busca de lembranças valiosas,vasculharam minha bagagem de sombras.Nada a declarar. Nada a lamentar.Passei pela porta verde. Trad.: Nelson Santander Mais do que…