Ada Limón – Instruções para não desistir

Mais do que os funis fúcsia rompendo
da macieira, mais do que a exibição quase
obscena dos galhos da cerejeira do vizinho enfiando
suas flores cor de algodão doce no céu ardósia
das chuvas de primavera, é o verdejar das árvores
que realmente me comove. Quando todo o embate de branco
e caramelo e os berloques e bugigangas do mundo deixam,
de rescaldo, a calçada repleta de confetes espalhados,
as folhas vêm. Paciente, laboriosa, uma pele verde
cresce sobre o que quer que o inverno nos tenha feito, um retorno
à estranha ideia de uma vida contínua, apesar
do caos entre nós, da dor, do vazio. Tudo bem então,
a árvore parece dizer, eu farei uma folha nova e escorregadia
se desdobrar como um punho aberto, eu o farei.

Trad.: Nelson Santander

Instructions on Not Giving Up

More than the fuchsia funnels breaking out
of the crabapple tree, more than the neighbor’s
almost obscene display of cherry limbs shoving
their cotton candy-colored blossoms to the slate
sky of Spring rains, it’s the greening of the trees
that really gets to me. When all the shock of white
and taffy, the world’s baubles and trinkets, leave
the pavement strewn with the confetti of aftermath,
the leaves come. Patient, plodding, a green skin
growing over whatever winter did to us, a return
to the strange idea of continuous living despite
the mess of us, the hurt, the empty. Fine then,
I’ll take it, the tree seems to say, a new slick leaf
unfurling like a fist to an open palm, I’ll take it all.

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