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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizerque a vida é bela, e muito,e que a revolução caminha com pés de flornos campos de meu país,com pés de borrachanas grandes cidades brasileirase que meu coraçãoé um sol de esperança entre pulmõese nuvens Poderia dizer que meu povoé uma festa só na vozde Clara Nunesno rodardas cabrochas no Carnavalda Avenida.Mas não. O…
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Ada Limón – O que eu quero lembrar

Logo antes da casa do general Vallejo,com suas imponentes pedras e paredes amarelas, há um campo ao longo do caminhopara o qual as chuvas de primavera conduzem os sapos, toda uma sinfonia deles, inaugurandoas horas logo após o sol afundar no Oceano Pacífico, a apenasuma hora de distância. Por que estou colocando você aqui? Estou…
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Mário Chamie – Cervo, Servo

1. E vem: som em torno, rumorações de margem, várzea vagido entre o mato de onde o mato cerca rinha menor de vinda. Refém: já muxoxo, convocações de talos, talhos rangidos entre o pasto de onde o pasto fecha largo maior de lida. Também: alto vôo, movemenções de asas,…
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Hart Crane – Louvor a uma urna

Louvor a uma urna In Memoriam: Ernest Nelson Era do norte o rosto ternoDe falso exilado, juntandoDe Pierrô o olhar eternoE a gargalhada de Gargantua. Os sonhos que me confiavaDo travesseiro branco, insone,Agora eu sei, eram heranças –Corcéis suaves do ciclone. No monte oblíquo a lua oblíquaNos deu presságios indistintosDo que ainda vivo o morto…
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Elizabeth Bishop – A Arte de Perder

A arte de perder não é nenhum mistério;Tantas coisas contêm em si o acidenteDe perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,A chave perdida, a hora gasta bestamente.A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério:Lugares, nomes, a escala subseqüenteDa viagem não…
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Adam Zagajewski – Os três anjos

“Os três anjos”, um poema de Adam Zagajewski que encena um diálogo entre o humano e o transcendente para refletir sobre medo, sofrimento, beleza e esperança.
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Paulo Henriques Britto – de “Dez Sonetoides Mancos”

VI Nada de mergulhos. É na superfícieque o real, minúsculo plâncton, se trai.Sentidos, sentimentos e outros moluscos não passam pela finíssima peneirado funcional. E o sofrimento, ai,esse nefando pinguim de louça sobre o que deveria ser, na quiti-nete do eu, uma austera geladeira… Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro, meufilho. Só o raso é…
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Brigit Pegeen Kelly – Canção

Ouça: havia uma cabeça de cabra suspensa por cordas em uma árvore.Por toda noite ela ficou lá pendurada e cantou. E aqueles que a ouviramSentiram um aperto em seus corações e pensaram que estavam ouvindoO canto de uma ave noturna. Eles se sentaram em suas camas e depoisSe deitaram novamente. Na brisa noturna, a cabeça…
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Manuel Bandeira – Poema Só Para Jaime Ovalle

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro(Embora a manhã já estivesse avançada).Chovia.Chovia uma triste chuva de resignaçãoComo contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.Então me levantei,Bebi o café que eu mesmo preparei,Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando…– Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…