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Rainer Maria Rilke – A nós nos cabe andar

I.22 A nós, nos cabe andar.Mas o tempo, os seus passos,são mínimos pedaçosdo que há de ficar. É perda puratudo o que é pressa;só nos interessao que sempre dura. Jovem, não há virtudena velocidadee no voo aonde for. Tudo é quietude:escuro e claridade,livro e flor. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…
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Matthew Sweeney – Crucificação

Eu cozinhava uma beterraba quando a campainha tocou.‘Quem será a essa hora?’, murmurei, marchandopara a porta. Quando a abri, o sol brilhavatanto que só vi silhuetas, mas discernique pairava sobre tudo uma grande cruz preta.Havia dois homens, um com cara de bode,o outro um sujeito enorme com um cigarrona boca e suor no rosto de…
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Derek Walcott – O Amor Depois do Amor

“O Amor Depois do Amor”, um poema de Derek Walcott que celebra o reencontro consigo mesmo como a mais profunda forma de amor, quando finalmente nos sentamos à mesa da própria vida.
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Gillian Clarke – Advento

Tempos sombrios. Dezembro.O eixo da terra inclinadoe os minutos caem do diaum pouco de cada vez. Assim, dormimos além da escuridão,sonâmbulos das horas cinzentas.Impossível crer na luz,ou em um nascimento, até esta alvorada invernal, a raposavoltando para casa com sangue na boca,todos os elementos químicos da aurora em seus olhos,e o céu abismado. Trad.: Nelson…
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Roger Wolfe – Pálpebra

Pedro Salinasdisse num poema1que não quer deixar de sentira dor da ausênciada mulher que amaporque isso é tudoo que dela fica:a dor.Não me recordo das suas palavras exactas.Ele di-lo melhor do que eu.Eram outros tempos.Salinas está morto.A mulher que ele amava também.Em breve o estaremos todos.A vida é uma simples pálpebra.Abre os olhose fecha-os. Trad.:…
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Jack Gilbert – Fracasso e voo

O fracasso não encerra a experiência: dele pode nascer uma forma inesperada de grandeza. Jack Gilbert aproxima amor, casamento e mortalidade para observar como a vida se eleva justamente quando aceita risco e imperfeição.
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Pedro Salinas – Não quero que te vás

Não quero que te vás,dor, última formade amar. Sinto-me vivoquando me dóis,não em ti, nem aqui,mais longe: na terra, no anode onde tu vens,no amor com elae tudo o que foi.Nessa realidadesubmersa que se negaa si mesma e insisteem nunca ter existido,que foi apenas um pretextoque encontrei para viver.Se tu não me restasses,ó dor irrefutável,até…
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Carlos Drummond de Andrade – Romaria

Romaria A Milton Campos Os romeiros sobem a ladeira cheia de espinhos, cheia de pedras,sobem a ladeira que leva a Deuse vão deixando culpas no caminho. Os sinos tocam, chamam os romeiros: Vinde lavar os vossos pecados.Já estamos puros, sino, obrigados,mas trazemos flores, prendas e rezas. No alto do morro chega a procissão.Um leproso de…
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Octavio Paz – Irmandade

Homenagem a Claudio Ptolomeo Sou homem: duro poucoe enorme é a noite.Mas olho para cima:as estrelas escrevem.Sem entender, compreendo:também sou escritae neste exato instantealguém me soletra. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: Poema publicado no blog originalmente em 07/10/2017 – agora traduzido por mim Hermandad Homenaje a Claudio Ptolomeo Soy hombre: duro…
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Joan Margarit – Cumprimentar-se

Aprendeste o gesto com os anos.Encontras o vizinho, vos cumprimentais,lado a lado, dois velhos na calçadacada um fechando a própria porta.As casas. E a convenção generosade algumas palavras na rua.Para além, já nada mais restaque esta paixão final, a calmasolitária e feroz das recordaçõessob um pedaço de azul nítido como um cálculo.Em seu quintal, cada…