Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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Louis Macneice – O observador de estrelas

Quarenta e dois anos atrás (para mim, se não para mais ninguém,O número é de algum interesse), fazia uma noite brilhante e estreladaE o expresso para o ocidente, sem cabines, ia vazio,De modo que, saltando de um lado para outro, eu podia capturar a insólita visãoDaquelas fendas quase intoleravelmenteBrilhantes, cravadas no céu, que me fascinavam,…
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Stanley Kunitz – As camadas

“As camadas”, um poema de Stanley Kunitz que reflete sobre as múltiplas vidas atravessadas ao longo da existência, as perdas acumuladas e a contínua transformação do eu, culminando na exortação a viver nas camadas da experiência, e não nos escombros do passado.
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Matt Rasmussen – Suicídio reverso

O cara para quem papai vendeu o carrovolta para buscar o dinheiro dele, sai do veículo. Com trapos imundosnós o esfregamos até que deixe de brilhar e limpamos o seu sangue dascosturas do assento. Cada floco de neve se move antesde alçar ao céu enquanto eu percebo que você não estará morto.O não sofrimento termina…
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Thomas Lux – As pessoas da outra aldeia

odiamos as pessoas desta aldeiae pregaríamos os chapéusàs nossas cabeças por nos recusarmos a remove-los em sua presençaou grampearíamos as mãos às nossas testaspor nos recusarmos a cumprimenta-losse não os feríssemos primeiro: enviamos-lhes pacotes de ratose, à noite, misturamos vidro moído à sua farinha.Nós fazemos isto, eles, aquilo.Eles arrancam a laringe da garganta de um…
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Ellen Bass – O tempo que ela quiser

No caminho para o cemitério, eu dormi.Não na limusine que levava o caixão da minha mãe,mas apagada em uma van, a família toda falando ao meu redor.Eu estava exausta do sofrimento dela, de seus apelos —me ajuda e chega, chega —e tentando fazer com que a morfina permanecesse na vala de suas gengivas.Como pude não ter estudado…
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Ellen Bass – Durante a pandemia, ouço a gravação de A Love Supreme no Festival Juan-les-Pins, de 26 de julho de 1965

As primeiras notas familiares, reconhecíveis em qualquer lugar, me abençoamnesta manhã selvagem. O sax de Coltrane sobee desce em cada beco, entra e sai das veias e sobre a facedas águas e nos corações de pedra.E quando repete A love supreme de novo e de novo,é como se, se o dissesse o suficiente, ele pudesse…
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Ellen Bass – Foi esta a porta

Não havia belezaquando eu me sentava na cozinha, à mesa, rompendo as cápsulas rosadas, dividindo os grânulospara que ela pudesse ingerir a promessa precisa, onde ela se deitava no quintal envolta em colchastodas as noites olhando por entre os ramos, estrelas salpicadas no venoso céu escuro.Não havia tempo lá fora. Ou o tempo era grande…
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Ellen Bass – Fracasso

Eu parecia uma mulher. Tinha começadoa sangrar, algo que eu queria com fervor,o mesmo fervor com que ardiao beijar Earl Freeman, ao cheirar seu suor de homeme tocar o côncavo em seu esternoquando nos deitamos na areia quente em Atlantic City,o céu claro arqueado sobre nós. Eu estava com tanta pressade crescer, disse minha mãe.…
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Ellen Bass – Matrimônio

Quando, depois de uma grave enfermidade, vocêfinalmente estende todo o comprimento do seu corpo sobre o meu, não é como os estratos da terra, a pressãodo tempo sobre a areia, a lama, fragmentos de conchas, todosesses anos, incontáveis despertares e adormeceres,noites em claro, brigas, manhãs banaisfalando de nada, e os brevesmergulhos ardentes, e o silênciosem…
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Ellen Bass – Retorno para mamografia e ultrassom

Então é para isso que estou aqui, para olhar para dentrodo peso mudo da minha mama direita, um punhado densode tesouros que eu desejava quando menina quando choreiatrás da cortina na loja de espartilhos das irmãs Guerlaine.Aquelas afáveis solteironas mal podiam suportarminhas lágrimas, enquanto ajustavam as alçasde um sutiã de rendas com enchimento. Tive que…