Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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Czesław Miłosz – Elegia para N. N.

Diga-me se é longe demais para você.Você poderia ter corrido sobre as ondas mansas do Bálticoe passado pelos campos da Dinamarca, por um bosque de faias,poderia ter-se voltado para o oceano, e ali, logo adiante, Labrador, branca nesta época do ano.E se você, que sonhava com uma ilha solitária,tivesse medo das cidades e das luzes…
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David Ignatow – Para minha filha, em resposta a uma pergunta

Não, não vamos morrer,vamos encontrar uma saída.Respiraremos profundamentee comeremos com cuidado.Pensaremos sempre na vida.Não nos desvaneceremos, nem eu nem você.Seremos os primeirose não riremos de nós mesmos jamaise seus filhos serão meus netos.Nada terá mudado,exceto por acréscimo.Nunca haverá outra como vocêe nunca outro como eu.Ninguém jamais a confundiránem me confundirá com outro.Nós não seremos esquecidos…
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Robinson Jeffers – Carmel Point

A extraordinária paciência das coisas!Este belo lugar desfigurado por uma safra de casas suburbanas —Quão belo quando o contemplamos pela primeira vez,Campo intacto de papoulas e tremoceiros, murado por límpidas falésias;Nenhuma intrusão, salvo dois ou três cavalos pastando,Ou algumas vacas leiteiras esfregando os flancos nos afloramentos rochosos —Então chega o depredador: e o lugar, se…
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Eiléan Ní Chuilleanáin – Bessboro

Eis o que herdei —Nunca foi minha própria vida,Mas o nome de uma casa que ouviE outros ouviram como advertênciaDo que poderia acontecer a uma garotaOusada e apanhada pela má-sorte:Um fragmento de um destinoDesolador, uma nota-marreta de medo — Mas eu nunca vi o lugar.Agora que estou em frente ao portãoE aquele tempo há muito…
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Jane Hirshfield – Sopesagem

As razões do coraçãovistas com clareza,inclusive as mais duras,carregarãosuas marcas de chicote e tristezase devem ser perdoadas. Como a elande famintapela seca que perdoao leão faminto pela secaque finalmente a arrebata,e entra em seguida de bom gradona vida que ela não pode recusar,e torna-se leão, está alimentada,e não se lembra da anterior. Tão poucos grãos…
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Marilyn Nelson – Mais rápido que a luz

Eu não queria pagar para estacionar meu carro,por isso peguei um táxi para a estação ferroviária.New London fica a uma hora de carro,mas aquela foi a melhor solução que pude encontrar.Depois de mais ou menos dez milhas de conversa fiadaem que acabei confessando meu ofício,o motorista disse que ele era um físico —Como hobby, ele…
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Natalie Diaz – Meu irmão às 3 da manhã

Ele estava sentado de pernas cruzadas, chorando nos degraus,quando mamãe destrancou e abriu a porta da frente. Meu Deus, ele disse. Meu Deus. Ele quer me matar, mamãe. Quando mamãe destrancou e abriu a porta da frente,às 3 da manhã, ela estava de camisola, papai…
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Louise Glück – Aubade

Hoje, acima do canto da gaivota,ouvi você me acordar novamentepara ver aquela ave, voandotão estranhamente sobre a cidade,não querendo parar, desejandoa desolação azul do mar — Agora ela contorna o subúrbio;contra si, a luz violenta do meio-dia: Eu sinto a fome delacomo sua mão dentro de mim, um gritotão comum, desafinado — O nosso não…
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Dan Gerber – Frequentemente, imagino a terra

Frequentemente, imagino a terracom o olhar dos átomos de que somos feitos —átomos, peculiaresátomos por toda parte —sem eu, sem você, sem opiniões,sem princípio, sem meio, sem fim,planando juntos como aquelesantigos pássaros chinesesnascidos milagrosamente com apenas uma asa,ajudando uns aos outros a voar para casa. Trad.: Nelson Santander Often I Imagine the Earth Often I…
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Dorianne Laux – Histórias de família

Tive um namorado que me contava histórias sobre sua família,como a de certa vez em que uma discussão terminou quando seu paiagarrou com as duas mãos um bolo de aniversário com as velas acesase o arremessou pela janela do andar de cima. Assim,eu pensava, era uma família normal: raivaenviada para além do peitoril, aterrissando como…