Categoria: Poesia em Língua Espanhola
-
Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, colhe as rosas, não esperes a manhã. Corta-as velozmente, desaforadamente, sem parar para pensar se elas são más ou boas. Que não sobre nenhuma. Poliniza os rosais que encontrares em teu caminho e deixa os espinhos para tuas colegas do colégio. Desfruta da luz e do ouro enquanto podes e consagra tua beleza a…
-
Felipe Benitez Reyes – “Collige Rosas”

Consumir este dia como se fosse o último. Queima-lo como o último cigarro que restou ao insone. Retarda-lo nos lábios como a sílaba última de uma fórmula mágica. Que dependa dele – como a moeda que o suicida reticente lança ao ar – o exato sentido da vida essa confusão de quimeras que morrem nas…
-
Francisco Brines – “Collige, virgo, rosas”

Estás já com quem queres. Ri e goza. Ama. E anima-te na noite que agora começa, e entre tantos amigos (e comigo) abre os grandes olhos para a vida com a avidez preciosa de tua idade. A noite, longa, há de acabar ao amanhecer, e virão esquadrões de espiões com a luz, apagar-se-ão as estrelas,…
-
Garcilaso de la Vega – Soneto XXIII

Enquanto que de rosa e de açucena se mostra toda a cor neste teu rosto, enquanto o teu olhar ardente, honesto, acende o coração e o serena; e enquanto o teu cabelo, que das franjas do ouro se escolheu, com voo presto, sobre o formoso colo branco, ereto, o vento move, espalha e desarranja: colhe…
-
Francisco Brines – Os Prazeres Inferiores

Não desdenhes as paixões vulgares Tens os anos necessários para saber que elas se correspondem exatamente com a vida. Não reduzas sua ação, pois se do breve tempo em que consistes as retiras, é ainda o existir mais imperfeito. Descobre sua verdade por trás da aparência, e assim não haverá falsidade, não poderás fingir que…
-
Amalia Bautista – Os Teus Olhos

Quando já se esgotaram os caminhos que a razão poderia aconselhar-nos abrem-se os teus olhos: com eles tudo volta a inundar-se da luz escura que dá sentido ao mundo e à minha vida. Trad.: Inês Dias Tus Ojos Cuando se han agotado los caminos que la razón podría aconsejarnos se abren tus ojos, y con…
-
Joan Margarit – Espaço e Tempo

E de repente a casa é demasiado grande. Tua mãe e eu esvaziamos teus armários e seguimos por mesas e prateleiras, de retrato em retrato, teus sorrisos. À noite os espelhos, sob a luz elétrica, expõem com mais ênfase o teu vazio. Os móveis são agora mais escuros. Pela escada desce a cálida balaustrada que…
-
Joan Margarit – Despedir-se

Removi tapetes e cortinas, todas as mesas em que há tempos não como nem escrevo. Tirei os quadros e pintei as paredes para apagar os sinais dos anos. Guardo uns poucos livros. Sei bem quais. Destruí cartas de amor que não me amavam mais. Silenciosos, agora, os amores são icebergs errantes do pensamento. A casa,…
-
Miriam Reyes – Imóvel

abandonado a teu peso de homem imóvel olhas-me com antiquíssimos ressentimentos. Ouve-me bem: sou inocente de teu passado não sou a tua puta mãe nem a tua enferma mãe nem a tua louca mãe embora seja uma puta louca. Não mereço receber agressões alheias, atrasadas e caducas. Não projetes em mim os fantasmas de tua…
