Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto, vês um avião que está decolando. Vai-se perdendo o sinal. Sem nenhuma piedade pelo que foste, pois a piedade é demasiado efêmera e não há tempo para construir nada sobre ela, convences-te de que vives, embora sem esperanças, uma época que é a mais feliz de tua vida. Há…
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Piedad Bonnett – Volta à Poesia

Outra vez volto a ti. Cansada venho, definitivamente solitária. Minha bolsa cheia de tristeza trago, carregada de penas infinitas, de dor. Dos desertos venho com os lábios ardentes e o olhar cego pelo vento forte e a dura areia. Abrasada de sede, venho beber de teus profundos mananciais, render-me em teus braços, fundos braços de…
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Joan Margarit – Vozes de Crianças

O amanhã nos meus olhos é de um cinzento triste, é uma teia de luz cansada onde recordo quando iam dormir. Ainda lhes leio naquele quarto, debaixo da lâmpada ao lado da cama, os contos com capas duras de cores brilhantes. De súbito, em alguma madrugada, ouço uma criança que me chama e incorporo-me, mas…
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Jorge Luis Borges – James Joyce (em três traduções)

Primeira tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques.Revisão de trad.: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz Em um dia do homem estão os diasdo tempo, desde o inconcebíveldia inicial do tempo, em que um terrívelDeus prefixou os dias e agonias,até aquele outro em que o ubíquo riodo tempo terrenal torne a sua fonte,que é o…
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Alejandra Pizarnik – Capítulos Principais

Chega a morte com sua manada de ossos sorrio submissa a uma menina idiota que implora em meu nome juntas (a morte, a menina e eu) não encontramos outro ofício para execrar. No final todos se casam: o mar e as ondas, a noite e a escuridão, a taça e o vinho, o anel e…
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

Elas não te abandonarão. O tempo passará, apagar-se-á o desejo — esta flecha da sombra — e os rostos sensuais, belos e inteligentes, ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho. Passarão os anos. Cansar-te-ão os livros. Decairás ainda mais e perderás até mesmo a poesia. O ruído da cidade nas vidraças acabará por ser…
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Jorge Luis Borges – Cambridge

Nova Inglaterra e a manhã. Dobro por Craigie. Penso (já pensei) que o nome Craigie é escocês e que a palavra crag é de origem celta. Penso (já pensei) que neste inverno estão os antigos invernos dos quais deixaram escrito que o caminho está prefixado e que já somos do Amor ou do Fogo. A…
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto? Não os assustadores fantasmas do pensamento e da consciência. Não os longos corredores de hospitais com lâmpadas fluorescentes dia e noite. Nem sequer o tremor de irrealidade que permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janela e compreendes que tudo quanto vês…
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Alfredo Buxán – Lápide

Uma lágrima cai sobre a cal do solo, arde sob meus pés, consome na solidão minha solidão. Trad.: Nelson Santander Alfredo Buxán – Lápida Una lágrima cae sobre la cal del suelo, arde bajo mis pies, abrasa en soledad mi soledad.
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Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia “Leningrado”

Lembras-te? Joana havia morrido. Íamos para o norte, tu e eu, no carro, para o apartamento junto ao mar, e ouvíamos esta sinfonia. Iniciamos a viagem em uma manhã luminosa e, dentro da música, o dia era de muros cobertos pelo gelo, vultos carregando sacos meio vazios e, no lago, trenós com cadáveres. Como uma…