Francisco Brines – “Collige, virgo, rosas”

Francisco Brines – “Collige, virgo, rosas”

Já estás com quem queres. Ri e goza. Ama.
E inflama-te na noite que agora se inicia,
e entre tantos amigos (e comigo)
abre os grandes olhos para a vida
com a avidez preciosa dos teus anos.
A noite, longa, há de acabar ao amanhecer,
e virão esquadrões de espiões com a luz,
apagar-se-ão os astros, e também a lembrança,
e a alegria acabará em seu nada.
Mas, mesmo que isso ocorra, inflama-te na noite,
pois por trás do esquecimento pode ser que ela renasça,
e a recuperes pura, e aumentada em beleza,
se nela, por acaso, que já será escolha,
selares a vida no melhor que teve,
quando a noite humana acabar de todo,
e chegar essa outra luz, rancorosa e estranha,
que, antes que a conheças, eu já terei conhecido.

Trad.: Nelson Santander

N. do T.: “Collige, virgo, rosas” significa “Colhe, donzela, as rosas”.
A expressão provém do poema latino De rosis nascentibus, de autoria
discutida, atribuído a Ausônio e também transmitido entre os poemas
da Appendix Vergiliana.

“Collige, virgo, rosas”

Estás ya con quien quieres. Ríete y goza. Ama.
Y enciéndete en la noche que ahora empieza,
y entre tantos amigos (y conmigo)
abre los grandes ojos a la vida
con la avidez preciosa de tus años.
La noche, larga, ha de acabar al alba,
y vendrán escuadrones de espías con la luz,
se borrarán los astros, y también el recuerdo,
y la alegría acabará en su nada.
Mas, aunque así suceda, enciéndete en la noche,
pues detrás del olvido puede que ella renazca,
y la recobres pura, y aumentada en belleza,
si en ella, por azar, que ya será elección,
sellas la vida en lo mejor que tuvo,
cuando la noche humana se acabe ya del todo,
y venga esa otra luz, rencorosa y extraña,
que antes que tú conozcas, yo ya habré conocido.

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