Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jorge Luis Borges – Remorso por qualquer morte

Livre da memória e da esperança,Ilimitado, abstrato, quase futuro,O morto não é um morto: é a morte.Como o Deus dos místicos,A quem se devem negar todos os predicados,O morto, onipresentemente alheio,Não é senão a perdição e a ausência do mundo.Tudo lhe roubamos,Não lhe deixamos nem uma cor, nem uma sílaba:Aqui está o pátio que seus…
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Jorge Luis Borges – Nuvem (1)

Não haverá uma só coisa que não seja uma nuvem. São nuvens as catedrais de vasta pedra e bíblicos cristais que o tempo aplanará. São nuvens a Odisséia que muda como o mar. Algo há distinto cada vez que a abrimos. O reflexo de tua cara já é outro no espelho e o dia é…
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…
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Pedro Salinas – Não Te Vejo

Não te vejo. Bem sei que estás aqui, atrás de uma frágil parede de ladrilhos e cal, bem ao alcance da minha voz, se chamasse. Mas não chamarei. Chamarei amanhã, quando, ao não te ver mais imagine que continuas aqui perto, ao meu lado, e que basta hoje a voz que ontem eu não quis…