Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, colhe as rosas, não esperes a manhã.
Corta-as velozmente, desaforadamente,
sem parar para pensar se elas são más ou boas.
Que não sobre nenhuma. Poliniza os rosais
que encontrares em teu caminho e deixa os espinhos
para tuas colegas do colégio. Desfruta
da luz e do ouro enquanto podes e consagra
tua beleza a esse deus gordo e melancólico
que anda pelos jardins instilando veneno.
Goza lábios e línguas, acaba-te com gosto
com quem saíres e não permitas que o outono
apanhe-te com a pele seca e sem um homem
(pelo menos) comendo-te a essência da alma.
E que a negra morte prive-te do que viveste.

Trad.: Nelson Santander

“Collige, virgo, rosas”

Niña, arranca las rosas, no esperes a mañana.
Córtalas a destajo, desaforadamente,
sin pararte a pensar si son malas o buenas.
Que no quede ni una. Púlete los rosales
que encuentres a tu paso y deja las espinas
para tus compañeras de colegio. Disfruta
de la luz y del oro mientras puedas y rinde
tu belleza a ese dios rechoncho y melancólico
que va por los jardines instilando veneno.
Goza labios y lengua, machácate de gusto
con quien se deje y no permitas que el otoño
te pille con la piel reseca y sin un hombre
(por lo menos) comiéndote las hechuras del alma.
Y que la negra muerte te quite lo bailado.

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