Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Um pobre instante

A morte não é mais do que isto: um quarto, a luminosa tarde na janela, e este toca-fitas na mesinha tão desligado como o teu coração com todas as tuas canções cantadas para sempre. Teu último suspiro segue dentro de mim, todavia em suspenso: não deixo que termine. Sabes qual é, Joana, o próximo concerto?…
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Josep M. Rodríguez – Equação

De pé neste penhasco, aceito a mentira da paisagem. Tudo é inacessível: o orvalho – que é suor vegetal – e o comboio que passa. Uma cegonha voa a preto e branco. Tem o seu ninho no cimo da igreja que fica junto ao cemitério. Estranho paradoxo, a pedra testemunha a fugacidade, a carne é…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdices tua solidão, dedicando-a a uma absurda busca do nada, nem persigas a ti próprio obsessivamente por escuras galerias. Assustado pela luz dos preceitos. Sai no sol a pino e olha para as coisas difíceis. Considera que o jogo desmedido das palavras não te servirá de nada se não te apoiares naquilo…
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Jorge Luis Borges – Elogio da Sombra

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão) pode ser o tempo de nossa felicidade. O animal morreu ou quase morreu. Restam o homem e sua alma. Vivo entre formas luminosas e vagas que não são ainda a escuridão. Buenos Aires, que antes se espalhava em subúrbios em direção à planície incessante,…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto, vês um avião que está decolando. Vai-se perdendo o sinal. Sem nenhuma piedade pelo que foste, pois a piedade é demasiado efêmera e não há tempo para construir nada sobre ela, convences-te de que vives, embora sem esperanças, uma época que é a mais feliz de tua vida. Há…
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Piedad Bonnett – Volta à Poesia

Outra vez volto a ti. Cansada venho, definitivamente solitária. Minha bolsa cheia de tristeza trago, carregada de penas infinitas, de dor. Dos desertos venho com os lábios ardentes e o olhar cego pelo vento forte e a dura areia. Abrasada de sede, venho beber de teus profundos mananciais, render-me em teus braços, fundos braços de…
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Joan Margarit – Vozes de Crianças

O amanhã nos meus olhos é de um cinzento triste, é uma teia de luz cansada onde recordo quando iam dormir. Ainda lhes leio naquele quarto, debaixo da lâmpada ao lado da cama, os contos com capas duras de cores brilhantes. De súbito, em alguma madrugada, ouço uma criança que me chama e incorporo-me, mas…
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Jorge Luis Borges – James Joyce (em três traduções)

Primeira tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques.Revisão de trad.: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz Em um dia do homem estão os diasdo tempo, desde o inconcebíveldia inicial do tempo, em que um terrívelDeus prefixou os dias e agonias,até aquele outro em que o ubíquo riodo tempo terrenal torne a sua fonte,que é o…
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Alejandra Pizarnik – Capítulos Principais

Chega a morte com sua manada de ossos sorrio submissa a uma menina idiota que implora em meu nome juntas (a morte, a menina e eu) não encontramos outro ofício para execrar. No final todos se casam: o mar e as ondas, a noite e a escuridão, a taça e o vinho, o anel e…
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

Elas não te abandonarão. O tempo passará, apagar-se-á o desejo — esta flecha da sombra — e os rostos sensuais, belos e inteligentes, ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho. Passarão os anos. Cansar-te-ão os livros. Decairás ainda mais e perderás até mesmo a poesia. O ruído da cidade nas vidraças acabará por ser…