Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Francisco Brines – Os Prazeres Inferiores

Não desdenhes as paixões vulgares Tens os anos necessários para saber que elas se correspondem exatamente com a vida. Não reduzas sua ação, pois se do breve tempo em que consistes as retiras, é ainda o existir mais imperfeito. Descobre sua verdade por trás da aparência, e assim não haverá falsidade, não poderás fingir que…
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Amalia Bautista – Os Teus Olhos

Quando já se esgotaram os caminhos que a razão poderia aconselhar-nos abrem-se os teus olhos: com eles tudo volta a inundar-se da luz escura que dá sentido ao mundo e à minha vida. Trad.: Inês Dias Tus Ojos Cuando se han agotado los caminos que la razón podría aconsejarnos se abren tus ojos, y con…
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Joan Margarit – Espaço e Tempo

E de repente a casa é demasiado grande. Tua mãe e eu esvaziamos teus armários e seguimos por mesas e prateleiras, de retrato em retrato, teus sorrisos. À noite os espelhos, sob a luz elétrica, expõem com mais ênfase o teu vazio. Os móveis são agora mais escuros. Pela escada desce a cálida balaustrada que…
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Joan Margarit – Despedir-se

Removi tapetes e cortinas, todas as mesas em que há tempos não como nem escrevo. Tirei os quadros e pintei as paredes para apagar os sinais dos anos. Guardo uns poucos livros. Sei bem quais. Destruí cartas de amor que não me amavam mais. Silenciosos, agora, os amores são icebergs errantes do pensamento. A casa,…
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Miriam Reyes – Imóvel

abandonado a teu peso de homem imóvel olhas-me com antiquíssimos ressentimentos. Ouve-me bem: sou inocente de teu passado não sou a tua puta mãe nem a tua enferma mãe nem a tua louca mãe embora seja uma puta louca. Não mereço receber agressões alheias, atrasadas e caducas. Não projetes em mim os fantasmas de tua…
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Joan Margarit – Um pobre instante

A morte não é mais do que isto: um quarto, a luminosa tarde na janela, e este toca-fitas na mesinha tão desligado como o teu coração com todas as tuas canções cantadas para sempre. Teu último suspiro segue dentro de mim, todavia em suspenso: não deixo que termine. Sabes qual é, Joana, o próximo concerto?…
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Josep M. Rodríguez – Equação

De pé neste penhasco, aceito a mentira da paisagem. Tudo é inacessível: o orvalho – que é suor vegetal – e o comboio que passa. Uma cegonha voa a preto e branco. Tem o seu ninho no cimo da igreja que fica junto ao cemitério. Estranho paradoxo, a pedra testemunha a fugacidade, a carne é…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdices tua solidão, dedicando-a a uma absurda busca do nada, nem persigas a ti próprio obsessivamente por escuras galerias. Assustado pela luz dos preceitos. Sai no sol a pino e olha para as coisas difíceis. Considera que o jogo desmedido das palavras não te servirá de nada se não te apoiares naquilo…
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Jorge Luis Borges – Elogio da Sombra

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão) pode ser o tempo de nossa felicidade. O animal morreu ou quase morreu. Restam o homem e sua alma. Vivo entre formas luminosas e vagas que não são ainda a escuridão. Buenos Aires, que antes se espalhava em subúrbios em direção à planície incessante,…
