Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Professor Bonaventura Bassegoda

Recordo-o alto e gordo, atrevido, sentimental. Você, então, era uma autoridade em Alicerces Profundos. Sempre iniciava suas aulas assim: “Senhores, bom dia. Hoje faz tantos anos, tantos meses e tantos dias que minha filha morreu”. E costumava secar algumas lágrimas. Tínhamos vinte anos, mais ou menos, e o homem corpulento que você era, chorando no…
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Juan Vicente Piqueras – Os deuses dentro

Os deuses não compreendem a estranha insensatezcom que decidimos acabar conoscoacabando com eles, o orgulhocom que os desprezamos. Os deuses sabem mais e melhor que nóso que nos faz falta. Pedimos-lhes um filhoe nos mandam um lobo, e não os compreendemos. A vida a cada dia os esquece.A morte à noite os inventa. E as…
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Juan Luis Panero – Mensagem de Antonio a Cleópatra

Mensagem de Antonio a Cleópatra I Elogiem outros tua adormecida beleza, a suavidade de tua pele em repouso, a medida perfeição de teus membros. Eu não vim para isso, vim somente para te penetrar pela frente e por detrás como um punhal atravessa a água transparente e afunda e se perde no poço sombrio. Mensagem…
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José Asunción Silva – Obra Humana

No interior da floresta intocada em que, uma noite, no início de maio, tocou a velha ramagem folhada da pálida lua o primeiro raio, poucos meses depois a luz de gás da aurora na estação iluminou o curso da locomotiva audaz que por trilhos duríssimos cruzou. E onde fora certa vez um abrigo, porto seguro…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-las cedo porque nesse dia chegou também o frio e passamos a manhã falando do tempo. São duas, e me pergunto que destino imprevisto as trouxe a esta árvore precisa, a este lugar exato em que o tempo delas cruza, como um sinal confuso, nosso tempo. De tarde falamos sobre elas: “Esta…
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César Vallejo – Paris, Outubro de 1936

De tudo isto eu sou o único que parte. Deste banco eu me vou, de meus calções, de minha grande situação, de minhas ações, de meu número dividido de lado a lado, de tudo isto eu sou o único que parte. Dos Campos Elísios ou ao dar a volta à estranha viela de la Luna,…
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Roger Wolfe – O amor, suponho

“O amor, suponho”, um poema de Roger Wolfe que reflete sobre a dificuldade de escrever um poema de amor para a própria esposa, associando o amor a raros instantes de felicidade e questionando se vale a pena desperdiçá-los tentando transformá-los em versos.
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Francisco Brines – Os Verões

A Carmen Marí Foram longos e ardentes os verões! Ficamos nus juntos ao mar, e o mar ainda mais nu. Com os olhos, e em corpos ágeis, praticamos a mais prazerosa posse do mundo. Soavam para nós as vozes iluminadas de lua, e era a vida abrasadora e violenta, ingratos com o sonho, fluíamos. O…
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Javier Salvago – Ano Novo

Como as coisas não podiam ficar pior – escreveu Kafka, em seu Diário – melhoraram. Como eu gostaria, ante este negro e inóspito horizonte que se abre, diante de mim – como mais um ano, ou como menos um ano -, de poder dizer o mesmo. Mas sinto que ainda não cheguei ao fundo, que…
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Joan Margarit – Canção de Ninar

Dorme, Joana. E que este Loverman obscuro e trágico do sax de teu irmão em Montjuïc possa acompanhar-te toda a eternidade pelos caminhos que são bem conhecidos pela música. Dorme, Joana, dorme. E de preferência não esqueças de teus anos no ninho que dentro de nós tu deixaste. Enquanto envelhecemos, conservaremos todas as cores que…