Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-las
cedo porque nesse dia chegou
também o frio e passamos
a manhã falando do tempo.
São duas, e me pergunto que
destino imprevisto as trouxe
a esta árvore precisa, a este lugar
exato em que o tempo delas
cruza, como um sinal confuso,
nosso tempo.
De tarde falamos sobre elas:
“Esta espera, imóvel, paciente – dizes -,
traça não sei que estranha, antiga imagem
da vida”.
Depois ficamos em silêncio, observando,
espiando sua perfeita quietude
sobre as águas que atravessam
o inverno, e assim,
por um momento resumem
para nós a
contemplação
do mundo: este rio, estas árvores,
o céu de outono, o calor,
o frio.

Trad.: Nelson Santander

Berta Piñán – Dos Garzas

Llegaron el sábado. Las vimos
temprano porque ese día comenzó
también el frío y echamos
la mañana charlando del tiempo.
Son dos, y me pregunto qué
destino imprevisto las trae
a este árbol preciso, a este lugar
exacto en que su tiempo
atraviesa, como un signo confuso,
nuestro tiempo.
Por la tarde hablamos de ellas:
“Esta espera suya, inmóvil, terca – dices -,
no sé qué extraña, antigua imagen
traza de la vida”.
Después quedamos en silencio, mirando,
espiando su perfecta quietud
sobre las aguas que pasan
del invierno, y entonces,
por un momento, resumen
para nosotras la
contemplación
del mundo: este río, estos árboles,
el cielo de otoño, el calor,
el frío.

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