Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Luis Alberto de Cuenca – Mal de ausência

Desde que partiste, não sabes como devagar passa o tempo em Madrid. Vi um filme que terminou apenas há um século. Não sabes que lento corre o mundo sem ti, noiva distante. Os amigos pedem-me que volte a ser o mesmo que o coração apodrece de tanta melancolia, que a tua ausência não vale tanta…
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Francisco Brines – Última declaração de amor

Oh Vida, que tudo me deste. Agora já sei que, sendo isto verdade, nada me deste. Mas deixa-me olhar-te ainda com amor, mesmo que eu já não mais deseje abraçar-te. E embora saibas que eu não te abandono podes tu abandonar-me. Trad.: Nelson Santander Última declaración de amor Oh Vida, que todo me lo has…
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Joan Margarit – Helena

O ontem é teu inferno. É cada instanteem que, sem sabê-lo, te perdestee também cada instante em que foste salvo.Quando o jovem que foste está muito distante,o amor é vingança do passado.Vens de uma guerra em que foste vencido,de armas e acampamentos abandonadosna Troia que levas dentro de ti.Buscar-te-ão de noite os aqueose estreitarão o…
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Vicente Gaos – A vida

Os ardorosos signos da vidapulsam na atmosfera do verão.O mar respira tal como um varão,como uma criatura enfurecida. Oh gozo e amor, sangue furioso,cósmica vibração de um mundo arcano.Mundo que sinto ao tatear teu crâniofrágil quando nele minha mão pouso. Te amo, sim, te amo, sonho forte,Fecho os olhos e te sinto inteira– Oh luz…
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Ramón de Garciasol – Ávila do Silêncio

Silêncio: cala-me até as raízes, lava minha carne, meu suor de morte, a caspa cotidiana. Quero ver-te, Senhor, em paz, pelo que me dizes sem esta feroz contenda confusa, extinta a chama, pedra pura de eternidade sem fim, viva verdura sem o sal da dor e das cinzas. Silêncio: chove mais. A terra dura está…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/01/tumblr_inline_phmpjoek1n1ufxp92_1280.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma…
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Mario Benedetti – Currículo

A história é muito simplesvocê nascecontempla aturdidoo vermelho-azul do céuo pássaro que emigrao desajeitado besouroque seu sapato esmagarádestemido você sofrereclama por comidae por hábitopor obrigaçãochora isento de culpasexaustoaté que o sonho o desqualifique você amase transfigura e amapor uma eternidade tão efêmeraque até o orgulho se torna ternoe o coração proféticose converte em escombros você…
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Nicanor Parra – Esquecimento

Juro que não me lembro nem do seu nome,Mas morrerei chamando-a de Maria,Não por mero capricho de poeta,Pela sua aura de praça de província.Que tempos aqueles!, eu, um esquisitão,Ela, jovem pálida e sombria.Ao voltar certa tarde do LiceuSoube de sua morte imerecida,Notícia que me causou tal desalentoQue derramei uma lágrima ao ouvi-la.Uma lágrima, sim, quem…
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Luis Alberto de Cuenca – A casa da minha infância

Fui feliz naquela casa repleta de flores e de livros proibidos. A casa em que tu eras Ginevra nos nossos jogos, e eu era o rei Artur (não havia Lancelote para arruinar tudo). A casa onde foste donzela das minhas ânsias, senhora dos meus suspiros, muralha em meu peito, cofre do meu tesouro, brinde dos…
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Francisco Brines – A Piedade do Tempo

Em que escuro recanto do tempo que morreu vivem ainda, a arder, aqueles coxas? Dão luz ainda a estes olhos tão velhos e enganados, que voltam agora a ser o milagre que foram: desejo de uma carne, e a alegria do que não se nega. A vida é o naufrágio de uma obstinada imagem que…