Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – A aventura

Quando me ausento por um momento, ao finalizaruma inspeção de obra em algum bairro estranhoe entro para tomar café em um pequeno baronde não me conhecem, penso que soualguém que parte para não mais voltar.Quando me refugio no vaziode um entreato e procuro a escadaque leva aos banheiros,sinto que ali poderia começar minha ausência.Instantes que…
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Ernesto Pérez Vallejo – A garota de preto

Hoje eu podia ter-me apaixonado por ti, apesar de tuas botas sem salto, podia até ter-te beijado assim, com o mar ao fundo, os beijos aos domingos têm um sabor distinto, mais intenso. Podia ter-te levado pelas mãos até a praia e ter-te despido docemente enquanto me ajoelhava na terra e perfumava o meu nariz.…
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Hugo Vera Miranda – Os cavaleiros do apocalipse

Como defender-se dos furtivos invernos que aninham as moradas obscuras do desejo? Como voltar por um instante ao tempo feroz da infância onde um velho com cara de sapo solta pombas enquanto o trem passa? Como decifrar a carícia longínqua que agora atormenta a insônia? Vamos ficando sozinhos, cercados por demônios dançarinos e um tiro…
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Joan Margarit – Noite escura na rua Balmes

Cumpridas as ameaças e temores — hoje já todas as ruas levam à velhice —, passo defronte à clínica em que tu nasceste, vinte e seis anos atrás, em uma noite de corredores feridos pela luz. Aqui foi a tua chegada, pequena e indefesa, à praia feliz do teu sorriso, à dificuldade da palavra, às…
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Eloy Sánchez Rosillo – O segredo

Se por acaso a alegria se assuste e se apresse em me deixar, eu a escondo das pessoas e não digo a ninguém que veio à minha casa depois de muito tempo. Falo com ela, e com frequência vê-la de novo tão próxima me faz chorar, e rio. Depois a deixo sozinha e vou para…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Naquele agora

As chances de encontrar-te novamente eram remotas. Uma em um bilhão. E havendo infinitos lugares dispersos pelos números de um cálculo improvável, quem imaginaria que eu te veria naquela cantina, transformando-te na luz daqueles tempos felizes, ou isso quiseram crer, anos atrás, aqueles dois que fomos. Estavas ali, de repente e sem aviso prévio, com…
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Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta.…
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Joan Margarit – Água-forte

O granizo metralha as vidraças,as rajadas arrasam as calçadas.E tu e eu aqui, onde o mau temporesume os obstáculos que às vezesnos levam à beira do abismo.Olhos brilhantes de desacertos,mãos queimadas por se salvarem agarradasaos gelados corrimãos do inferno.Que o acaso continue disparandosem razão, como sempre, nas vidraças.Além do amor – desse nosso amor –nada…
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Manuel Vilas – Delia’s Gone

“Delia’s Gone”, um poema de Manuel Vilas que aborda de forma provocativa e irônica a relação entre amor, abandono e suicídio, evocando figuras como Ian Curtis, Mariano José de Larra e Sylvia Plath para refletir sobre a idealização trágica da morte por amor e o vazio deixado pela perda.
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Joan Margarit – Anos Sessenta

Lento, muito mais lento, tempo meu: falemos sobre o amor mesmo que as rosas tenham que acabar sempre na lixeira. Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro? Sem esperança alguma, críamos em algo, ou, porque era difícil a fé em algo, nunca perdemos a esperança. Restam as bandeiras vermelhas de perigo defronte ao mar bravio. Lembro-me de…