Categoria: Poesia em Língua Espanhola
-
Hugo Vera Miranda – Os cavaleiros do apocalipse

Como defender-se dos furtivos invernos que aninham as moradas obscuras do desejo? Como voltar por um instante ao tempo feroz da infância onde um velho com cara de sapo solta pombas enquanto o trem passa? Como decifrar a carícia longínqua que agora atormenta a insônia? Vamos ficando sozinhos, cercados por demônios dançarinos e um tiro…
-
Joan Margarit – Noite escura na rua Balmes

Cumpridas as ameaças e temores — hoje já todas as ruas levam à velhice —, passo defronte à clínica em que tu nasceste, vinte e seis anos atrás, em uma noite de corredores feridos pela luz. Aqui foi a tua chegada, pequena e indefesa, à praia feliz do teu sorriso, à dificuldade da palavra, às…
-
Eloy Sánchez Rosillo – O segredo

Se por acaso a alegria se assuste e se apresse em me deixar, eu a escondo das pessoas e não digo a ninguém que veio à minha casa depois de muito tempo. Falo com ela, e com frequência vê-la de novo tão próxima me faz chorar, e rio. Depois a deixo sozinha e vou para…
-
Jorge Valdés Díaz-Vélez – Naquele agora

As chances de encontrar-te novamente eram remotas. Uma em um bilhão. E havendo infinitos lugares dispersos pelos números de um cálculo improvável, quem imaginaria que eu te veria naquela cantina, transformando-te na luz daqueles tempos felizes, ou isso quiseram crer, anos atrás, aqueles dois que fomos. Estavas ali, de repente e sem aviso prévio, com…
-
Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta.…
-
Joan Margarit – Água-forte

O granizo metralha as vidraças,as rajadas arrasam as calçadas.E tu e eu aqui, onde o mau temporesume os obstáculos que às vezesnos levam à beira do abismo.Olhos brilhantes de desacertos,mãos queimadas por se salvarem agarradasaos gelados corrimãos do inferno.Que o acaso continue disparandosem razão, como sempre, nas vidraças.Além do amor – desse nosso amor –nada…
-
Manuel Vilas – Delia’s Gone

“Delia’s Gone”, um poema de Manuel Vilas que aborda de forma provocativa e irônica a relação entre amor, abandono e suicídio, evocando figuras como Ian Curtis, Mariano José de Larra e Sylvia Plath para refletir sobre a idealização trágica da morte por amor e o vazio deixado pela perda.
-
Joan Margarit – Anos Sessenta

Lento, muito mais lento, tempo meu: falemos sobre o amor mesmo que as rosas tenham que acabar sempre na lixeira. Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro? Sem esperança alguma, críamos em algo, ou, porque era difícil a fé em algo, nunca perdemos a esperança. Restam as bandeiras vermelhas de perigo defronte ao mar bravio. Lembro-me de…
-
Luis Alberto de Cuenca – Nos veremos novamente

Nos veremos novamente onde sempre é de dia e os feios são bonitos e eternamente jovens, onde os poderosos não abusam dos mais fracos e, das árvores, pendem brinquedos e gibis. Nesta morada de luz que não fere os olhos Voltaremos, tu e eu, a dizer-nos bobagens de mãos dadas, contemplando as ondas a morrer…
