Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jaime Gil de Biedma – Canção de aniversário

Porque são já seis anos desde então, porque não há na terra, ainda, nada tão doce quanto um quarto para dois, se for teu e meu; porque até o tempo, esse parente pobre que conheceu dias melhores, parece hoje partidário da felicidade, cantemos, alegria! E, depois, levantemo-nos mais tarde, como no domingo. Que a manhã…
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Joan Margarit – Inverno de 95

Esta carta a escrevo para alguémque está em um barco pelo nortede Tenerife, em cinquenta e sete.Um rapaz que, da amurada,mira o duro poente sobre o mare estuda arquitetura em Barcelona,para onde retorna agora. Aviso-tecom um sinal de alerta: a alegriaque sentes ao deixar teu pai para trásrevela a solidão sob uma luz dourada.Teu pai…
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Francisco Brines – Métodos de conhecimento

No cansaço da noite, penetrando a mais sombria canção, recobrei por trás de meus olhos cegos o frágil testemunho de uma cena remota. Recendia o mar, e a aurora era a ladra dos céus; tornava fantasmagóricas as luzes da casa. Os comensais eram jovens, e fartos e sem sede, no naufrágio do banquete, buscavam a…
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Joan Margarit – Piscina

Não temia a água, mas a ti,era teu medo o que eu temia,e o lugar mais profundo,em que não se veem os azulejos do fundo.Arrastaste-me até lá, lembro aindaa força de teus braços obrigando-me,enquanto tentava abraçar-me a ti.Não aprendi a nadar até muito tempo depois,e esqueci tuas tentativas de ensinar-me.Agora que já nunca voltarás a…
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Antonio Colinas – Envio

Lembras-te ainda do débil cantodo rouxinol perdido na ramagem?Viste farfalhar comigo naquela noitea copa do cipreste. Desfez-seo céu em fios de luar sobre teu rosto.Mas depois do pássaro e da luaapagaram-se os astros. Vi passarnão sei que brisa estranha pelo teu corpo.Lembras-te das nossas mãos na água?Lembras-te do silêncio sobre o campoe, como um deus exangue, do…
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Meira Delmar – Hóspede sem sombra

Nada deixam meus passos sobre a terra. No momento do último passeio hei de levar o que ao nascer me veio: o rosto em paz e o coração em guerra. Nenhuma voz repetirá a minha de saudoso ardor e fiel espanto. A voz estremecida com que canto o mar, a rosa, a melancolia. Não ressuscitará…
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Joan Margarit – Alguém

Tinha que salvar-me com seus olhos azuis cravados ainda em uma lembrança da adolescência, a estranha fase de precipitar-se, sem queixa nenhuma, ao fundo do abismo. Do bonde, a fugaz imagem de uma garota em uma varanda, e o número de um telefone anotado como uma cicatriz na memória. Nunca estive a seu lado, inventava…
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Joan Margarit – De repente está claro

De repente está claro. O amor é a vitória que irá me destruir. Como me gangrena o coração a solidão, como me destroça nas janelas do crepúsculo a hiena desolada e exangue. Na era rubra só o amor nos livra da gélida gruta do tempo. Conheci a glória de estar desesperado e a miséria do…
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Francisco Brines – Deitado

Chove, e amo. Pulsam, em alongada sombra, duas sombras vivas, sondam o nada, e nele se alimentam. São farrapos de luz, e à sua luz se veem olhos, músculos, cabelos, enquanto a sombra se extingue em mais sombra, e o repouso nos lençóis das fúrias do corpo é a gratidão de quem há de morrer,…
