Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta.…
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Joan Margarit – Água-forte

O granizo metralha as vidraças,as rajadas arrasam as calçadas.E tu e eu aqui, onde o mau temporesume os obstáculos que às vezesnos levam à beira do abismo.Olhos brilhantes de desacertos,mãos queimadas por se salvarem agarradasaos gelados corrimãos do inferno.Que o acaso continue disparandosem razão, como sempre, nas vidraças.Além do amor – desse nosso amor –nada…
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Manuel Vilas – Delia’s Gone

“Delia’s Gone”, um poema de Manuel Vilas que aborda de forma provocativa e irônica a relação entre amor, abandono e suicídio, evocando figuras como Ian Curtis, Mariano José de Larra e Sylvia Plath para refletir sobre a idealização trágica da morte por amor e o vazio deixado pela perda.
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Joan Margarit – Anos Sessenta

Lento, muito mais lento, tempo meu: falemos sobre o amor mesmo que as rosas tenham que acabar sempre na lixeira. Deslumbrou-nos um futuro. Que futuro? Sem esperança alguma, críamos em algo, ou, porque era difícil a fé em algo, nunca perdemos a esperança. Restam as bandeiras vermelhas de perigo defronte ao mar bravio. Lembro-me de…
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Luis Alberto de Cuenca – Nos veremos novamente

Nos veremos novamente onde sempre é de dia e os feios são bonitos e eternamente jovens, onde os poderosos não abusam dos mais fracos e, das árvores, pendem brinquedos e gibis. Nesta morada de luz que não fere os olhos Voltaremos, tu e eu, a dizer-nos bobagens de mãos dadas, contemplando as ondas a morrer…
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Jaime Gil de Biedma – Canção de aniversário

Porque são já seis anos desde então, porque não há na terra, ainda, nada tão doce quanto um quarto para dois, se for teu e meu; porque até o tempo, esse parente pobre que conheceu dias melhores, parece hoje partidário da felicidade, cantemos, alegria! E, depois, levantemo-nos mais tarde, como no domingo. Que a manhã…
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Joan Margarit – Inverno de 95

Esta carta a escrevo para alguémque está em um barco pelo nortede Tenerife, em cinquenta e sete.Um rapaz que, da amurada,mira o duro poente sobre o mare estuda arquitetura em Barcelona,para onde retorna agora. Aviso-tecom um sinal de alerta: a alegriaque sentes ao deixar teu pai para trásrevela a solidão sob uma luz dourada.Teu pai…
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Francisco Brines – Métodos de conhecimento

No cansaço da noite, penetrando a mais sombria canção, recobrei por trás de meus olhos cegos o frágil testemunho de uma cena remota. Recendia o mar, e a aurora era a ladra dos céus; tornava fantasmagóricas as luzes da casa. Os comensais eram jovens, e fartos e sem sede, no naufrágio do banquete, buscavam a…

