Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Javier Salvago – Fim de Festa

Enfim sós, vida. A festa acaboue não resta ninguém para nos obrigara sorrir, ou a inventar desagradáveismentiras inofensivas. Todos se foram. Despe-te sem medo. Conheçoas velhas rugas de tua triste carne.Acariciei-as. Sei o que teu rostooculta por baixo da maquiagem. Enfim sós, vida. A casa em silêncioe tu e eu nus, calados e ausentes,– juntos…
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Luis Alberto de Cuenca – Insônia

A vida é muito curta.Não há tempo para fazer nada. Não há meiosde reunir dias suficientespara aprender alguma coisa. Tu te levantas,abraças tua namorada, tomas teu café da manhã,trabalhas, comes, dormes, vais ao cinema,e sequer tens um momentopara ler Sêneca e acreditarque tudo neste mundo tem conserto.A vida é um instante. Não entendopor que esta…
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Joaquín Benito de Lucas – Elegia

Quando agora retornoà minha cidade, não posso contera emoção de saber que não sou esperado.Não me espera meu pai, que desceu rio abaixomuito lentamente entre os juncos, sob pontes enevoadas. Não me espera meu irmão,que me esperava sempre ao lado de um balcãoqualquer, em uma rua qualquerbrindando ao meu últimolivro ou por sua desgraçaou por…
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Juan Luis Panero – Epitáfio diante de um Espelho

Dura há de ser a vida para ti,que tuas crenças sacrificastes a uma estranha honradez,para ti, cuja única certeza é tua memóriae, portanto, teu sepulcro mais infausto.Dura há de ser a vida, quando os anos passareme por fim destruírem a ilusória pátria da tua adolescência,quando vires, como hoje, este fantasmaque tempos atrás te consolou com…
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Juan Vicente Piqueras – Nomes Apagados

A mente não é um lápis para tomar notas,É uma borracha. Marko Vesovič Meu pai foi pouco a pouco esquecendo a linguagem.E começou pelos nomes. O queseu cérebro primeiro esqueceu não foram os advérbiose pronomes, nem os adjetivos,como seria plausível acreditar,nem os resíduos das preposições,mas os substantivos. A maçã deixou de ser uma maçã,o copo…
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro,a que leva ao poder, a que esconde o mistériodo amor; a que oculta o segredo insondávelda felicidade, a que a vida te ofertapara sempre no gozo de uma visão sublime.Abre todas as portas, sem te mostrares curioso,nem dar importância às manchas de sangueque salpicam as paredes…
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César Cantoni – O Tempo Irreparável

Quem teria pensado nisso, então?O certo é que meu pai está mortocomo se nunca tivesse existido.Um dia congelaram suas mãos e os pés,e a casa se encheu de parentes,e minha mãe chorou, de joelhos, junto ao leito.Ainda me lembro. Meu pai está morto ou já não existe,e não basta agora saber que ele era feliz.Neste…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós,morreram meus tios de sangue e por afinidade.Uma família inteira de ferreiros,marceneiros, curtidores, pedreiros,jaz agora sem forças sob a terra. E eu, o mais inútil de todos,o que não sabe fazer nada com as mãos,consegui sobreviver impunementepara chorar diante de uma fotoo melhor do meu sangue. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO:…
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César Cantoni – O mais digno em nós

Eu sempre achei que os ossos, com seu brilho mineralde pedra polida pela chuva, são o que de mais digno há em nós:sobrevivem longamente à putrefação indecorosa da carnee não têm a malícia nem a maldade da alma. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado no blog originalmente em 26/01/2018 César Cantoni…
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Mario Benedetti – Angelus

Quem imaginaria que este seria o destino? Vejo a chuva através de letras invertidasUma parede com manchas que parecem dignitáriosOs tetos dos ônibus brilhantes como peixesE essa melancolia que impregna as buzinas Aqui não há céu,Aqui não há horizonte. Há uma mesa grande para todos os braçosE uma cadeira que gira quando quero fugir.Outro dia…