Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Octavio Paz – Irmandade

Homenagem a Claudio Ptolomeo Sou homem: duro poucoe enorme é a noite.Mas olho para cima:as estrelas escrevem.Sem entender, compreendo:também sou escritae neste exato instantealguém me soletra. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: Poema publicado no blog originalmente em 07/10/2017 – agora traduzido por mim Hermandad Homenaje a Claudio Ptolomeo Soy hombre: duro…
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Joan Margarit – Cumprimentar-se

Aprendeste o gesto com os anos.Encontras o vizinho, vos cumprimentais,lado a lado, dois velhos na calçadacada um fechando a própria porta.As casas. E a convenção generosade algumas palavras na rua.Para além, já nada mais restaque esta paixão final, a calmasolitária e feroz das recordaçõessob um pedaço de azul nítido como um cálculo.Em seu quintal, cada…
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Nicanor Parra – Acácias

Passeando anos atráspor uma rua cheia de acácias em florsoube por um amigo bem informadoque você tinha acabado de se casar.Respondi que por certoeu não tinha nada a ver com o assunto.Mas apesar de nunca ter amado você– e disso você sabe melhor do que eu –cada vez que florescem as acácias– imagina só –sinto…
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Juan Vicente Piqueras – O barbeiro

Nos últimos meses, olhava-se no espelhoe via um intruso. Irritava-se com ele. Já estás aqui outra vez? Será possível?Sai daqui agora mesmo.Para a rua, vagabundo, dizia-lhe. Era-lhe doloroso, era-nos doloroso,toda vez que ele tinha que ir ao banheiro.Tínhamos que conduzi-lo pelo braço, convence-lodo porquê. Ele se tornou o dono desse lugar, dizia,quem lhe deu as…
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José Ángel Buesa – Ela amará a outro homem

“Ela amará a outro homem”, um poema de José Ángel Buesa que aceita a perda com resignação, mas afirma a permanência secreta do amor na memória que o tempo não consegue apagar.
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Francisco Brines – Esplendor negro

Somente uma vez pudeste conhecer aquele Esplendor negro,e intermitentemente recordas a experiência vagamente,aproximações difusas, iminências,e assim, desde a tua juventude, arrastas frio,um invisível manto de cinza escarlate.E não foi necessário cegar os olhos,pois das luzes claras dos astroschegou aquele delírio, a possibilidade mais exata e simples:em vez de Deus ou do mundoaquele negro Esplendor,que nem…
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Joan Margarit – Amar é onde

“Amar é onde”, um poema de Joan Margarit que transforma o amor em território íntimo e duradouro, um lugar invisível onde a vida encontra sua origem e sua permanência.
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Jorge Valdés Días-Vélez – Pro nobis

Pro nobis para José Emilio Pacheco Uma vez mais, abriu o Averno suas mandíbulas escaldantes. Assomam os pesadelos e o terror da morte se o sono o invade e se transforma em chama negra, se, ao dormir, o levam até ele, ao lagar luxurioso dos demônios. O menino, mudo, contempla sua silhueta e chora. Na…
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Francisco Brines – A realidade não permanece

Esta tarde rebelde me leva a Bathe a ti, mas não à cidade de ruastranquilas, nem a quem tu deves ser hoje.O quarto fica maior na penumbraenquanto chove suavemente na rua.Há, na lareira, um fogo que aquecenossos corpos nus, e que iluminao vasto espaço de forma insuficiente.És a luz que o fogo de teus cabelose…
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Jaime Gil de Biedma – Lembre-se

Bela vida que se foi e parece já não passar Desde então, afundo em sonhos na memória: estremece eterno o tempo lá no fundo. E de repente um redemoinho cresce e me arrasta sugado rumo a um profundo abismo, para onde vai, despenhado, para sempre submergindo o passado. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado no…