Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Amalia Bautista – Os meus melhores desejos

Que a vida te pareça suportável.Que a culpa não afogue a esperança.Que não te rendas nunca.Que o caminho que sigas seja sempre escolhidoentre dois pelo menos.Que te interesse a vida tanto como tu a ela.Que não te apanhe o víciode prolongar as despedidas.E que o peso da terra seja levesobre os teus pobres ossos.Que a…
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Jaime Manrique – O céu sobre a casa de minha mãe

É uma noite de julhoperfumada com gardênias.Brilham a lua e as estrelassem revelar a essência da noite.Ao longo do crepúsculo— com suas gradações cada vez mais intensas de ônix,e o resplendor dourado das estrelas e das sombras —minha mãe arrumou a casa, o jardim, a cozinha.Agora, enquanto ela dorme,eu caminho em seu jardim,imerso no vazio…
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Amalia Bautista – O que fazes aqui

Leia “O que fazes aqui”, de Amalia Bautista, um poema poderoso sobre tristeza, memória emocional e a difícil convivência com aquilo que não conseguimos esquecer.
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Javier Salvago – Canção para esse dia

Agora simjá se vêo porvir.Agora simé o fim que está aqui. Que esta é– agora sim –a vetustez:a aridez,não esperarnenhum trem. Agora simo naviovai partir.Sem saberse é o fimou o além. Acabou,não há maisshow.Cai a cortina,Diz adeuso ator. Agora simé o fimque está aqui.Agora simjá se vêo porvir. Trad.: Nelson Santander Canción para ese día…
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Roger Wolfe – Pálpebra

Pedro Salinasdisse num poema1que não quer deixar de sentira dor da ausênciada mulher que amaporque isso é tudoo que dela fica:a dor.Não me recordo das suas palavras exactas.Ele di-lo melhor do que eu.Eram outros tempos.Salinas está morto.A mulher que ele amava também.Em breve o estaremos todos.A vida é uma simples pálpebra.Abre os olhose fecha-os. Trad.:…
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Pedro Salinas – Não quero que te vás

Não quero que te vás,dor, última formade amar. Sinto-me vivoquando me dóis,não em ti, nem aqui,mais longe: na terra, no anode onde tu vens,no amor com elae tudo o que foi.Nessa realidadesubmersa que se negaa si mesma e insisteem nunca ter existido,que foi apenas um pretextoque encontrei para viver.Se tu não me restasses,ó dor irrefutável,até…
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Octavio Paz – Irmandade

Homenagem a Claudio Ptolomeo Sou homem: duro poucoe enorme é a noite.Mas olho para cima:as estrelas escrevem.Sem entender, compreendo:também sou escritae neste exato instantealguém me soletra. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: Poema publicado no blog originalmente em 07/10/2017 – agora traduzido por mim Hermandad Homenaje a Claudio Ptolomeo Soy hombre: duro…
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Joan Margarit – Cumprimentar-se

Aprendeste o gesto com os anos.Encontras o vizinho, vos cumprimentais,lado a lado, dois velhos na calçadacada um fechando a própria porta.As casas. E a convenção generosade algumas palavras na rua.Para além, já nada mais restaque esta paixão final, a calmasolitária e feroz das recordaçõessob um pedaço de azul nítido como um cálculo.Em seu quintal, cada…
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Nicanor Parra – Acácias

Passeando anos atráspor uma rua cheia de acácias em florsoube por um amigo bem informadoque você tinha acabado de se casar.Respondi que por certoeu não tinha nada a ver com o assunto.Mas apesar de nunca ter amado você– e disso você sabe melhor do que eu –cada vez que florescem as acácias– imagina só –sinto…
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Juan Vicente Piqueras – O barbeiro

Nos últimos meses, olhava-se no espelhoe via um intruso. Irritava-se com ele. Já estás aqui outra vez? Será possível?Sai daqui agora mesmo.Para a rua, vagabundo, dizia-lhe. Era-lhe doloroso, era-nos doloroso,toda vez que ele tinha que ir ao banheiro.Tínhamos que conduzi-lo pelo braço, convence-lodo porquê. Ele se tornou o dono desse lugar, dizia,quem lhe deu as…