Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Acompanhava meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então vamos bem, ele…
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando não somos mais jovens, nos convencemosde que o diabo sabe mais por ser mais velhoe admitimos que os anos nos ensinama distinguir a realidade do sonho.Talvez não. Talvez a vida sóse nos mostre uma vez – quando temosolhos para aprecia-la – e depois vamosesquecendo seu rosto e seu segredo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com…
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta viaque chamam vida, vamoscom cautela devida, tal qual um cego.Mas em cinzas terminatodo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 27/05/2018 Conviene no Olvidarlo Por esta senda,que llaman vida, todosvamos a tientas, igual que un ciego.En ceniza terminantodos los fuegos.
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempoque os outros deixam de ladoporque lhes sobra ou já não sabemo que fazer com eletempoem brancoem rubroem verdemesmo em castanho escuronão me importa a corcândido tempoque eu não posso abrire fecharcomo uma porta tempo para olhar uma árvore, um farolpara caminhar à beira do descansopara pensar que bom que…
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Roger Wolfe – A Última Noite da terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casaE, no entanto, ainda estou aqui.Sua melodia não muda, já o disse antes.Mas meu trabalho é constatar o óbvio,e é isso que o melro me faz lembrar.O tempo passa, as pessoas envelhecem e morrempor sua própria mão ou com ajuda.As palavras escorrem pelo ralodo que…
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José Infante – [A morte é definitivamente o fim]
![José Infante – [A morte é definitivamente o fim]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2022/09/caronte.jpg)
A morte é definitivamente o fim, por maisque nos tentem enganar com cânticos,com hinos, com orações e salmos.A morte é o fim e é justoque seja assim. Que não hajarecompensas nem punições. Somenteque nos deixem perdermo-nos no nada,de onde viemos sem ter sidopreviamente convidados. Trad.: Nelson Santander [La muerte sí es el final] La muerte…
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José Alcaraz – Volta para Casa

Atravessa as ruasabsorto nos ecos das pessoas,distante até de seus pensamentos.Não chove, não abre o seu guarda-chuva,mas, como sempre, molham-senão só seus sapatosmas também sua vida, porque às vezesnão se lembra que o mundo o reclama.Caminha como quem não sabe para onde,a cada passo crê estar sozinho,e mais distante das outras pessoas,por isso chega tarde…
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Jorge Luis Borges – As Causas

Todas as gerações e os poentes.Os dias e nenhum foi o primeiro.A frescura da água na gargantaDe Adão. O ordenado Paraíso.O olho decifrando a maior treva.O amor dos lobos ao raiar da alba.A palavra. O hexâmetro. Os espelhos.A Torre de Babel e a soberba.A lua que os Caldeus observaram.As areias inúmeras do Ganges.Chuang Tzu e…
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Amalia Bautista – No final

Leia “No final”, de Amalia Bautista, um poema breve e comovente sobre amor, finitude e as poucas coisas que realmente importam na vida.
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Juan Vicente Piqueras – Véspera de Permanecer

Tudo está pronto: a mala,as camisas, os mapas, as vãs esperanças. Estou removendo o pó das minhas pálpebras.Já pus na lapelaa rosa dos ventos. Tudo está em ordem: o mar, o ar, o atlas. Só me falta o quando,o onde, um diário de bordo,cartas de navegação, ventos propícios,coragem e alguém que saibame amar como nem…