Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Não estava distante, não era difícil

Chegou um tempoem que a vida que se perde já não causa dor,em que a luxúria é apenasuma lâmpada inútil, e a inveja é esquecida.É um tempo de perdas prudentes, necessárias,e não é um tempo de chegarmas de partir. O amor, agora,por fim se une à inteligência.Não estava distante,não era difícil. É um tempoque não…
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Juan Vicente Piqueras – O pouco que sei

Sei que o penar não vale a pena. Sei que a felicidade é indizível. Sei que o amor, essa missão selvagem,delicada, impossível, é a única formade estar neste mundo sem errar. Sei que a morte resolve tudo.Sei que a morte, não, quero dizer, a vidaé um pintassilgo em uma árvore secaou em uma amendoeira em…
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Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança buscava as janelaspara pode fugir com o olhar.Desde então, se entro em um lugar,olho com atenção onde deixo meu casacoe onde está a porta de saída.Liberdade, para mim, significa fuga.Há muitas portas no mundo.Inclusive o sexo, em caso de emergência,pode sê-lo, embora todas vão se fechandoe, para fugir, rapidamente fiquemapenas as janelas…
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Idea Vilariño – Ou quem sabe nove

Talvez tenhamos tido só sete noitesnão seinão as conteicomo poderia.Talvez não mais que seisou quem sabe nove.Não seimas valeramcomo o amor mais duradouro.Talvezcom quatro ou cinco noites como essasmas precisamente como essastalvezse possa vivercomo de um longo amoruma vida inteira. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com pequenas alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em…
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Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Acompanhava meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então vamos bem, ele…
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando não somos mais jovens, nos convencemosde que o diabo sabe mais por ser mais velhoe admitimos que os anos nos ensinama distinguir a realidade do sonho.Talvez não. Talvez a vida sóse nos mostre uma vez – quando temosolhos para aprecia-la – e depois vamosesquecendo seu rosto e seu segredo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com…
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta viaque chamam vida, vamoscom cautela devida, tal qual um cego.Mas em cinzas terminatodo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 27/05/2018 Conviene no Olvidarlo Por esta senda,que llaman vida, todosvamos a tientas, igual que un ciego.En ceniza terminantodos los fuegos.
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempoque os outros deixam de ladoporque lhes sobra ou já não sabemo que fazer com eletempoem brancoem rubroem verdemesmo em castanho escuronão me importa a corcândido tempoque eu não posso abrire fecharcomo uma porta tempo para olhar uma árvore, um farolpara caminhar à beira do descansopara pensar que bom que…
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Roger Wolfe – A Última Noite da terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casaE, no entanto, ainda estou aqui.Sua melodia não muda, já o disse antes.Mas meu trabalho é constatar o óbvio,e é isso que o melro me faz lembrar.O tempo passa, as pessoas envelhecem e morrempor sua própria mão ou com ajuda.As palavras escorrem pelo ralodo que…
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José Infante – [A morte é definitivamente o fim]
![José Infante – [A morte é definitivamente o fim]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2022/09/caronte.jpg)
A morte é definitivamente o fim, por maisque nos tentem enganar com cânticos,com hinos, com orações e salmos.A morte é o fim e é justoque seja assim. Que não hajarecompensas nem punições. Somenteque nos deixem perdermo-nos no nada,de onde viemos sem ter sidopreviamente convidados. Trad.: Nelson Santander [La muerte sí es el final] La muerte…