Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – A partida
Definitivamente, este é o meu Outono,um tempo de alianças impossíveis,a era rubra de todos os perigospara homens maduros e mulheres solitárias.A era do adultério e da desmemóriasem nenhuma esperança, a era do gelo,a partida final contra mim mesmo.Permaneço à mesa, sem esperar pela sorte,já não há chances neste jogo.É o tempo de jogar paciênciacom as…
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Tamara Kamenszain – O Eco de Minha Mãe

“O Eco de Minha Mãe”, um poema de Tamara Kamenszain que aborda a experiência de cuidar da mãe em meio à perda da linguagem e da memória, refletindo sobre desamparo, inversão de papéis e o escândalo íntimo da gramática diante do esquecimento.
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José Mateos – In Memoriam

Para Pedro Sevilla Sempre, diante da dor, estamos sozinhos,não se deseja viver, e tu sabes disso.Há um instante, na penumbra de um quarto de hospital, viste a mão hirta,seu rosto afundado que o lençol ocultou.E foi como olhar-se num espelhoe perceber que somos menos que essa ausência,menos que a névoa que o ar dissipa. Eu…
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Joan Margarit – Ulisses nas águas de Ítaca

Estás chegando à ilha e agora sabeso que é o acaso. Viver, o que significa.Teu arco será pó em uma prateleira.Pó será o tear e a peça que ele tece.Os pretendentes, que no pátioacamparam,são sombras dos sonhos de Penélope.Estás chegando à ilha enquanto o mararrebenta nas rochas da costa,como faz o tempo com a Odisseia.Ninguém…
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Víctor Botas – “Collige, virgo, rosas”

Não falta quem suponha que em sessentabilhões de anos voltaremosa estar como agora (ao que parece,o Espaço se estica para depois,elástico, encolher e novamenteoutra vez dilatar-se), repetindotu, as profundidades desses olhos,eu, este esperar a morte de tuamão agonizante nas minhas, aquimesmo, precisamente nesse lugar. Mas, casoseja tudo uma farsa e nunca maisa história se repita…
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Luis Alberto de Cuenca – “Collige, virgo, rosas”

Moça, arranca as rosas, não esperes até manhã.Corta-as sem parar, desenfreadamente,sem te deteres a pensar se são boas ou más.Que não reste nenhuma. Acaba com os roseiraisque encontrares pelo caminho e deixa os espinhospara tuas colegas do colégio. Desfrutada luz e do ouro enquanto puderes e entregatua beleza a esse deus rechonchudo e melancólicoque passeia…
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Francisco Brines – “Collige, virgo, rosas”

Já estás com quem queres. Ri e goza. Ama.E inflama-te na noite que agora se inicia,e entre tantos amigos (e comigo)abre os grandes olhos para a vidacom a avidez preciosa dos teus anos.A noite, longa, há de acabar ao amanhecer,e virão esquadrões de espiões com a luz,apagar-se-ão os astros, e também a lembrança,e a alegria…
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Garcilaso de la Vega – Soneto XXIII

Enquanto que de rosa e de açucenase mostra toda a cor neste teu rosto,enquanto o teu olhar ardente, honesto,acende o coração e o serena; e enquanto o teu cabelo, que das franjasdo ouro se escolheu, com voo presto,sobre o formoso colo branco, ereto,o vento move, espalha e desarranja: colhe de tua alegre primaverao doce fruto,…
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Josep M. Rodríguez – Equação

De pé neste penhasco, aceito a mentira da paisagem. Tudo é inacessível: o orvalho – que é suor vegetal – e o comboio que passa. Uma cegonha voa a preto e branco. Tem o seu ninho no cimo da igreja que fica junto ao cemitério. Estranho paradoxo, a pedra testemunha a fugacidade, a carne é…
