Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Francisco Brines – “Collige, virgo, rosas”*

Já estás com quem desejas. Ri e goza. Ama.E inflama-te na noite que agora se inicia,e entre tantos amigos (e comigo)abre os grandes olhos para a vidacom a avidez preciosa dos teus anos.A noite, longa, extinguir-se-á com a aurora,e virão esquadrões de espiões com a luz,apagar-se-ão as estrelas, e também a lembrança,e a alegria findará…
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Garcilaso de la Vega – Soneto XXIII

Enquanto que de rosa e de açucenase mostra toda a cor neste teu rosto,enquanto o teu olhar ardente, honesto,acende o coração e o serena; e enquanto o teu cabelo, que das franjasdo ouro se escolheu, com voo presto,sobre o formoso colo branco, ereto,o vento move, espalha e desarranja: colhe de tua alegre primaverao doce fruto,…
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Josep M. Rodríguez – Equação

De pé neste penhasco, aceito a mentira da paisagem. Tudo é inacessível: o orvalho – que é suor vegetal – e o comboio que passa. Uma cegonha voa a preto e branco. Tem o seu ninho no cimo da igreja que fica junto ao cemitério. Estranho paradoxo, a pedra testemunha a fugacidade, a carne é…
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Francisco Brines – Os Prazeres Inferiores

Não desdenhes as paixões vulgaresTens os anos necessários para saberque elas se correspondem exatamente com a vida.Não reduzas sua ação,pois se do breve tempo em que consistesas retiras,é ainda o existir mais imperfeito.Descobre sua verdade por trás da aparência,e assim não haverá falsidade,não poderás fingir que foi razão de vida o que foi só passagem.Mas…
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Joan Margarit – Espaço e Tempo

E de repente a casa é grande demais.Tua mãe e eu esvaziamos teus armáriose percorremos mesas e prateleiras,de retrato em retrato, teus sorrisos.À noite, os espelhos, sob a luz elétrica,revelam com mais nitidez a tua ausência.Os móveis estão agora mais sombrios.Pela escada desce a balaustrada acolhedoraque guarda ainda a lembrança de tua pequena mão,e os…
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Joan Margarit – Despedida

Retirei tapetes e cortinas,todas as mesas onde há temposnão como nem escrevo.Removi os quadros e pintei as paredespara apagar os vestígios dos anos.Guardo alguns poucos livros. Sei bem quais.Destruícartas de amor que não me amavam mais.Silenciosos agora, os amoressão icebergs errantes do pensar.A casa, sem recantos para o medo,deixa meus olhos mais desnudos.Nada, nem a…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdicestua solidão, dedicando-a a uma absurdabusca do nada, nem te persigasobsessivamente por escuros corredores.Assustado pela luz dos preceitos.Sai sob o sol pleno e observaas coisas difíceis.Considera que o jogo desmedido das palavrasnão te servirá de nada se não te apoiaresnaquilo que te rodeia. Há as pedrase as árvores e as pessoas e…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto,vês um avião decolando.O sinal vai se perdendo.Sem nenhuma piedade por quem tens sido,pois a piedade é demasiado efêmera enão há tempo para edificar nada sobre ela,sentes-te convencido de que vives,embora sem esperanças, uns anosque são os mais felizes de tua vida.Há uma outra poesia, haverá sempre,como há outra música.…
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Jorge Luis Borges – James Joyce (em três traduções)

Primeira tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques.Revisão de trad.: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz Em um dia do homem estão os diasdo tempo, desde o inconcebíveldia inicial do tempo, em que um terrívelDeus prefixou os dias e agonias,até aquele outro em que o ubíquo riodo tempo terrenal torne a sua fonte,que é o…
