Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

“Não jogues fora as cartas de amor”, um poema de Joan Margarit que afirma a escrita amorosa como refúgio último contra o desgaste do tempo e a erosão da própria poesia.
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto?Não os ameaçadoresfantasmas do pensamento e da consciência.Não os longos corredores de hospitaiscom lâmpadas fluorescentes dia e noite.Nem sequer o tremor de irrealidadeque permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janelae compreendes que tudo quanto vêsé o mesmo que ontem, e seráigual amanhã…
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Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia ‘Leningrado’

Lembras-te? Joana1 havia morrido.Íamos para o norte, tu e eu, de carro,para o apartamento junto ao mar,e ouvíamos esta sinfonia.Iniciamos a viagem em uma manhãluminosa e, dentro da música,o dia era de muros cobertos pelo gelo,sombras com sacos meio cheiose, no lago, trenós com cadáveres.Como uma pista de aeroporto ao sol,fugia a estrada, e por…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Já estás dentro.E o alcácer abarca o universoE não tem anverso nem reversoNão tem extremo muro nem secreto centro. Não esperes que o rigor do teu caminhoQue fatalmente se bifurca em outro,Que fatalmente se bifurca em outro,Terá fim. É de ferro teu destino Como o juiz. Não creias na investidaDo…
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Joan Margarit – Não estava distante, não era difícil

Chegou um tempoem que a vida que se perde já não causa dor,em que a luxúria é apenasuma lâmpada inútil, e a inveja é esquecida.É um tempo de perdas prudentes, necessárias,e não é um tempo de chegarmas de partir. O amor, agora,por fim se une à inteligência.Não estava distante,não era difícil. É um tempoque não…
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Juan Vicente Piqueras – O pouco que sei

Sei que o penar não vale a pena. Sei que a felicidade é indizível. Sei que o amor, essa missão selvagem,delicada, impossível, é a única formade estar neste mundo sem errar. Sei que a morte resolve tudo.Sei que a morte, não, quero dizer, a vidaé um pintassilgo em uma árvore secaou em uma amendoeira em…
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Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança buscava as janelaspara pode fugir com o olhar.Desde então, se entro em um lugar,olho com atenção onde deixo meu casacoe onde está a porta de saída.Liberdade, para mim, significa fuga.Há muitas portas no mundo.Inclusive o sexo, em caso de emergência,pode sê-lo, embora todas vão se fechandoe, para fugir, rapidamente fiquemapenas as janelas…
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Idea Vilariño – Ou quem sabe nove

Talvez tenhamos tido só sete noitesnão seinão as conteicomo poderia.Talvez não mais que seisou quem sabe nove.Não seimas valeramcomo o amor mais duradouro.Talvezcom quatro ou cinco noites como essasmas precisamente como essastalvezse possa vivercomo de um longo amoruma vida inteira. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com pequenas alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em…
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Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Acompanhava meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então vamos bem, ele…
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando não somos mais jovens, nos convencemosde que o diabo sabe mais por ser mais velhoe admitimos que os anos nos ensinama distinguir a realidade do sonho.Talvez não. Talvez a vida sóse nos mostre uma vez – quando temosolhos para aprecia-la – e depois vamosesquecendo seu rosto e seu segredo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com…