Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Francisco Brines – Os Prazeres Inferiores

Não desdenhes as paixões vulgaresTens os anos necessários para saberque elas se correspondem exatamente com a vida.Não reduzas sua ação,pois se do breve tempo em que consistesas retiras,é ainda o existir mais imperfeito.Descobre sua verdade por trás da aparência,e assim não haverá falsidade,não poderás fingir que foi razão de vida o que foi só passagem.Mas…
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Joan Margarit – Espaço e Tempo

E de repente a casa é grande demais.Tua mãe e eu esvaziamos teus armáriose percorremos mesas e prateleiras,de retrato em retrato, teus sorrisos.À noite, os espelhos, sob a luz elétrica,revelam com mais nitidez a tua ausência.Os móveis estão agora mais sombrios.Pela escada desce a balaustrada acolhedoraque guarda ainda a lembrança de tua pequena mão,e os…
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Joan Margarit – Despedida

Retirei tapetes e cortinas,todas as mesas onde há temposnão como nem escrevo.Removi os quadros e pintei as paredespara apagar os vestígios dos anos.Guardo alguns poucos livros. Sei bem quais.Destruícartas de amor que não me amavam mais.Silenciosos agora, os amoressão icebergs errantes do pensar.A casa, sem recantos para o medo,deixa meus olhos mais desnudos.Nada, nem a…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdicestua solidão, dedicando-a a uma absurdabusca do nada, nem te persigasobsessivamente por escuros corredores.Assustado pela luz dos preceitos.Sai sob o sol pleno e observaas coisas difíceis.Considera que o jogo desmedido das palavrasnão te servirá de nada se não te apoiaresnaquilo que te rodeia. Há as pedrase as árvores e as pessoas e…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto,vês um avião decolando.O sinal vai se perdendo.Sem nenhuma piedade por quem tens sido,pois a piedade é demasiado efêmera enão há tempo para edificar nada sobre ela,sentes-te convencido de que vives,embora sem esperanças, uns anosque são os mais felizes de tua vida.Há uma outra poesia, haverá sempre,como há outra música.…
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Jorge Luis Borges – James Joyce (em três traduções)

Primeira tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques.Revisão de trad.: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz Em um dia do homem estão os diasdo tempo, desde o inconcebíveldia inicial do tempo, em que um terrívelDeus prefixou os dias e agonias,até aquele outro em que o ubíquo riodo tempo terrenal torne a sua fonte,que é o…
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

“Não jogues fora as cartas de amor”, um poema de Joan Margarit que afirma a escrita amorosa como refúgio último contra o desgaste do tempo e a erosão da própria poesia.
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto?Não os ameaçadoresfantasmas do pensamento e da consciência.Não os longos corredores de hospitaiscom lâmpadas fluorescentes dia e noite.Nem sequer o tremor de irrealidadeque permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janelae compreendes que tudo quanto vêsé o mesmo que ontem, e seráigual amanhã…
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Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia ‘Leningrado’

Lembras-te? Joana1 havia morrido.Íamos para o norte, tu e eu, de carro,para o apartamento junto ao mar,e ouvíamos esta sinfonia.Iniciamos a viagem em uma manhãluminosa e, dentro da música,o dia era de muros cobertos pelo gelo,sombras com sacos meio cheiose, no lago, trenós com cadáveres.Como uma pista de aeroporto ao sol,fugia a estrada, e por…
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Jorge Luis Borges – Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Já estás dentro.E o alcácer abarca o universoE não tem anverso nem reversoNão tem extremo muro nem secreto centro. Não esperes que o rigor do teu caminhoQue fatalmente se bifurca em outro,Que fatalmente se bifurca em outro,Terá fim. É de ferro teu destino Como o juiz. Não creias na investidaDo…