Categoria: Poesia em Língua Espanhola
-
Amalia Bautista – Nu de Mulher

Para ti nunca passei de um blocode mármore. Esculpiste nele o meu corpo,um corpo de mulher branco e formoso,em que não viste nada a não ser pedrae o orgulho, isso sim, do teu trabalho.Nunca imaginaste que eu te amavae que tremia quando, docemente,me modelavas os seios e os ombros,ou alisavas as coxas e o ventre.Hoje,…
-
José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO poema publicado na página…
-
Francisco Brines – O Triunfo do Amor

“O Triunfo do Amor”, um poema de Francisco Brines que confronta a devastação do tempo com a persistência íntima do amor, fazendo do coração acelerado o último gesto contra o vazio duradouro.
-
Joan Margarit – Aventura Doméstica

Sozinho em casa, vasculhando os armários.Encontro um antigo mapa rodoviário,contratos vencidos, canetas-tinteiroque já não escreverão mais cartas,calculadoras com pilhas descarregadase relógios que o tempo derrotou.Nas profundezas das gavetas, como um rato triste,aninha-se o passado. Vazios, os vestidospendem como velhos personagensque nos interpretaram.De repente, encontro também tua lingerie,cor de areia, da noite, com pequenos bordados.Calcinhas, sutiãs,…
-
Juan Ramón Jiménez – Com tua Voz

Quando estiver entre as raízeschama-me com tua voz.Vai me parecer que entra,tremulando, a luz do sol. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado originalmente na página em 23/11/2018 Con tu voz Cuando esté con las raícesllámame tú con tu voz.Me parecerá que entratemblando la luz del sol.
-
Jorge Luis Borges – Maio 20, 1928

Agora é invulnerável como os deuses. Nada na terra pode feri-lo, nem o desamor de uma mulher, nem a tísica, nem as ansiedades do verso, nem essa coisa branca, a lua, que já não precisa fixar em palavras. Caminha lentamente sob as tílias; olha as balaustradas e as portas, não para recordá-las. Já sabe quantas…
-
Jaime Sabines – Sobre a Morte do Major Sabines

Primeira Parte I Deixa-me repousar,relaxar os músculos do coraçãoe colocar a alma para dormirpara poder falar,para poder recordar estes dias,os mais longos dos tempos. Mal convalescemos da afliçãoe estamos fracos, assustados,despertando duas ou três vezes do nosso escasso sonhopara ver-te na noite e saber que respiras.Precisamos despertar para estar mais despertosdeste pesadelo repleto de gente…
-
Joan Margarit – A moça do semáforo

Tens a mesma idade que eu tinhaquando comecei a sonhar em encontrar-te.Ignorava então, assim como tu ignoras,que o amor se transforma na arma carregadade solidão e melancoliaque aponta agora para ti em meus olhos.Tu és a moça que busqueidurante tanto tempo, quando ainda não existias.E eu o homem a quem, um dia,desejarás que oriente teus…
-
Alfonsina Storni – Leva-me

Quero esquecer que vivo: leva-me a algum lugar;Ata-me a tua alma; a alva a brilhar. Colhe-me entre tuas mãos como em um branco casuloE mostra-me aos deuses com glória e com orgulho. Leva-me! É uma noite muito escura e sombria!…A morte caça pelo mundo tal qual harpia. Faz-me esquecer o peso que carrego nos ombrosEssa…
-
Angela Figuera Aymerich – Princípio e Fim (na morte de minha mãe)

Já tenho minhas raízes debaixo da terra.Já um pouco morta contigo, mãe,há algo da minha vida que se decompõecontigo, com teus ossos delicados,com tuas veias azuis, com teu ventreque côncavo sofreu, dando-me forma.Na ignorância, mãe, não no pecadomostraste-me como a vida brota.Como a carne floresce e se divideno centro sagrado da mulher.Pequena e frágil foste.…