Categoria: Poema
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

Formas Migratórias para Katia Alemann Aprendemos a amar a conta-gotasessas pequenas pausas de que se vesteo temporal para inundar a solidãodo lado de fora, o ramo entre violeta e ocre das tardes, o murmúriosemântico do céu. Nesta ordem,desfizemos os contornos da distância,a longitude sem proporção, as linhasque relacionam as coisas. Breveslacunas de ar, esses segundos…
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Leonard Nathan – Brinde

Houve uma mulher em Ithacaque chorou baixinho a noite todano quarto ao lado e desamparadome apaixonei por ela sob o mantode neve que se depositou em todos os telhadosda cidade, preenchendocada escura depressão. Na manhã seguinteno café do motelestudei todas as mulheres de rostosmaquiados. Teria sido a loira de meia idadeque brincou com a garçoneteou a…
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James Kirkup – Ursa Maior

Suspensa entre os álamos domesticados no fimda avenida familiar, a UrsaMaior, em sua rede iluminada, balança,como um portão abandonado que nem barra nem convida para entrar,e pendura no poste arqueado sua silhueta de sete pontas. Desenhada com a precisão de um problema desconhecidosolucionado na sala de aula mais alta do céu vazio,ela revela sobre o…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A outra rosa

Ela beijou na rosa(seu nome era um aguilhãofeminino e brutal)a imagem de outra rosa gravada em uma lousade mármore, cristalina.A luz era mais finae, ao tato, tão airosa quanto a flor que ardiasem pausa em sua memória.Em outro meio-dia, a rosa era ilusóriapromessa repartida;e o beijo, a outra vida. Trad.: Nelson Santander La otra rosa…
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Donald Hall – Últimos dias

“Era razoávelesperar.” Assim ele escreveu. No dia seguinte,em um consultório,a hematologista de Jane, Letha Mills, sentou-se,tensa, sua secretáriaem pé, de costas para a porta.“Trago péssimas notícias,”disse Letha. “A leucemia voltou.Não há nada a fazer.”Os quatro choramos. Ele perguntou há quanto tempo,por que isso aconteceu agora?Jane perguntou apenas: “Posso morrer em casa?” Em casa, naquela tarde,eles…
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Louise Glück – Acalanto

Minha mãe é especialista em uma coisa:enviar pessoas que ela ama para o outro mundo.Os pequeninos, os bebês — estesela embala, sussurrando ou cantando baixinho. Não posso dizero que ela fez pelo meu pai;o que quer que tenha sido, tenho certeza de que foi o certo. De fato, é a mesma coisa preparar uma pessoa…
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Warsan Shire – para mulheres que são ‘difíceis’ de amar

“para mulheres que são ‘difíceis’ de amar”, um poema de Warsan Shire que aborda a intensidade feminina e a recusa em se diminuir para caber nas expectativas masculinas, celebrando a autonomia, a força e a beleza de mulheres que não aceitam transformar-se para serem amadas.
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Juan Vicente Piqueras – Museu da Acrópole

Uma mão de mármore, mas apenas os dedos,sobre um ombro de mármore sem cabeça. Um braço erodido que ninguém estende a ninguém. Um cavalo sem patas. Um cavaleiro que é apenas suas coxas. Dionísio aos pedaços, recomposto. Um touro sem chifres que está sendo devoradopor um leão que lá não está,apenas suas garras. Admiramos o…
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Javier Salvago – Canção do Esquecimento

A cor dos olhos daquele amor juvenil.O calor do primeiro beijo, que não consigorecordar, embora saiba que deve ter sidoinesquecível. Tantos colegas e amigosda escola ou de farra, que um dia foram íntimos.O latim. Tantos nomes de montanhas e rios.Tantas duras lições. Tantos e tantos livros, com paixão devorados, sempre abertos, lidose esquecidos, assim como…
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Carlos Drummond de Andrade – Véspera

Amor: em teu regaço as formas sonham o instante de existir: ainda é bem cedo para acordar, sofrer. Nem se conhecem os que se destruirão em teu bruxedo. Nem tu sabes, amor, que te aproximas a passo de veludo. És tão secreto, reticente e ardiloso, que semelhas uma casa fugindo ao arquiteto. Que presságios circulam…