Categoria: Poema
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Lisel Mueller – Românticos

Românticos Johannes Brahms e Clara Schumann Os biógrafos modernos se preocupamem “o quão longe” foi sua terna amizade.Eles se perguntam o que exatamente significaquando ele escreve que pensa nela constantemente,seu anjo da guarda, amada amiga.Os biógrafos modernos fazem a rude e irrelevante indagaçãode nossa era como se o eventode dois corpos entrelaçados estabelecesse a medida…
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Patricia Hampl – É assim que a memória funciona

Você está desembarcando de um trem.Uma noite úmida e vazia, o cheiro de cinzas.Uma rajada de vapor vinda da locomotiva rodopiaao redor da bainha do seu sobretudo, ao redorda mão que segura a valise de couro marrom,a mão que, há pouco, penteou para tráso cabelo e em seguida ajeitou o fedoradefronte a um espelho com…
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Howard Nemerov – Figuras de pensamento

Colocar a espiral logarítmica naConcha e no papel, e vê-las se encaixar,Observar a mesma ideia funcionarNa subida do piloto de caça, ajustando a mira Em seu alvo, preparando a matança,E no voo de certos insetos estrábicosQue não conseguem ver que voam para a morteMas têm que lançar nela seu olhar de esguelhaE dirigir-se, mas girando,…
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Javier Salvago – Nada, nada importa

Se os anos ensinam alguma coisaé a pouca importânciaque tudo tem.Tudo,cedo ou tarde, passa.O amor, que vaicomo veio. A vagajuventude, com seus sonhos,suas grandes esperanças.Dias de vinho e de rosas,tempos de abundânciado coração. O brilho.A beleza. A vontadede levar a vidaadiante. As presunçosasilusões— estrelasque subitamente se apagame nos deixam em umanoite escura da alma —.A…
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Joan Margarit – Noturno em Solivella

Vens da visita que fizeste ao vinhedo, à noite.Detiveste o trator entre as cercas de arameonde se embalam, verdes e densas, as videiras,e escutaste a terra à tua volta.O restaurante te dá dinheiro,mas de madrugada, com ele já fechado,fazendo um café para ti no balcão,pensas o quanto gostas de, à noite, visitarsozinho os arames do…
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William Blake – A mosca

Pequena Mosca, Teus jogos de estio Minha irrefletida Mão os destruiu. Pois como tu, Mosca não sou eu? E não és tu Homem como eu? Eu canto e danço e Bebo, até que vem Mão cega arrancar-me As asas também. Se é o pensamento Vida, sopro forte, E a ausência do Pensamento morte, Então eu…
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Antonio Carlos Secchin – [Não, não era ainda a era da passagem]
![Antonio Carlos Secchin – [Não, não era ainda a era da passagem]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/01/jeremy-thomas-e0ahdsenmdg-unsplash-scaled-1.jpg)
Não, não era ainda a era da passagem do nada ao nada, e do nada ao seu restante. Viver era tanger o instante, era linguagem de se inventar o visível, e era bastante. Falar é tatear o nome do que se afasta. Além da terra, há só o sonho de perdê-la. Além do céu, o mesmo céu, que se alastra num…
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Linda Pastan – Chove sobre a casa de Anne Frank

Chove sobre a casade Anne Franke sobre os turistasamontoados sob a sombrade seus guarda-chuvas,sobre os perfeitamente silenciososturistas que prefeririam estarem outro lugarmas que aqui esperam em escadastão íngremes pelas quais devem subirpara alguma ocasiãono sótão vazio,no banheiro pitoresco,no esqueletode uma cozinhaou no mapa —cada uma de suas setasuma farpa de arame —com todas as datas,…
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Robert Morgan – Outono branco

Ela sempre gostou de ler, inclusivena infância, durante a Guerra da Secessão,e depois desenvolveu o hábito de ficar acordadajunto ao lampião perto da lareira depois que,concluída a faxina, o marido e os filhos iam dormir.Ela alimentou o vício nos anos durosda Reconstrução e mesmo depois queo seu marido morreu e ela foi forçada a prover…
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Mary Oliver – Quando estou entre as árvores

Quando estou entre as árvores,especialmente entre os salgueiros e os espinheiros-da-virgínia,mas também entre as faias, os carvalhos e os pinheiros,elas emitem tantos sinais de alegria.Eu quase diria que elas me salvam, e diariamente.Estou tão distante de minhas expectativas sobre mim mesma,nas quais eu reúno bondade, e discernimento,e nunca me apresso no mundo,mas caminho lentamente, e…