Categoria: Poema
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Lêdo Ivo – Achamento e duração dos mortos

És o cemitério. Os mortos não jazem debaixo da terra. Não estão ocultos num lençol de relva mas sob tua pele. Tuas veias são ruas onde os mortos passeiam fagueiros, e em férias percorrem, turistas do eterno, os museus do éter. E nas terras velhas de tua memória almas veraneiam. Meu filho, viver é comerciar…
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Jane Hirshfield – Jasmim

Quase o século vinte e um —quão rapidamente o pensamento ficará datado,até mesmo pitoresco? Nossas esperanças, nosso futuro,passarão como as esperanças e futuros dos outros. E todas as nossas ansiedades e terrores,noites de insônia,pesares,se apresentarão então como realmente são — Abelhas delirantes e trôpegas pelo aroma do chá de jasmim. In “The lives of the…
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Seán Hewitt – Fantasma

i. Despertando, quase de manhã, mas aindade um escuro metálico, fechado, no quarto: um som dentro do meu sonho, apenas um lamentono início, que depois se torna humano, um uivoque se eleva na rua do lado de fora, fica sem respostae então se eleva novamente. De cueca, tremendojunto à janela de uma só vidraça, mas…
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Edward Field – Máscara mortuária

Máscara mortuária “A velhice é a mais inesperada de todas as coisas que acontecem a um homem.“ –Leon Trotsky. “Não me falem Da sabedoria dos velhos, mas antes de…
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Carlos Drummond de Andrade – Nudez

Não cantarei amores que não tenho, e, quando tive, nunca celebrei. Não cantarei o riso que não rira e que, se risse, ofertaria a pobres. Minha matéria é o nada. Jamais ousei cantar algo de vida: se o canto sai da boca ensimesmada, é porque a brisa o trouxe, e o leva a brisa, nem…
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David Whyte – Algumas vezes

Algumas vezes,se você se mover cuidadosamentepela floresta,respirandocomo osdas velhas histórias,que podiam atravessarum resplandescente leito de folhassem um som,você chega a um lugar cuja única missão é incomoda-locom ínfimas mas assustadoras exigências,concebidas do nadamas neste lugarque começa a leva-lo para todos os lugares.Exigências para que você pareo que está fazendo agora,e pare o que você está…
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Paul Tran – A caverna

Alguém que estava na abertura teve a ideia de entrar. Ir além do ponto onde a luz ou a linguagem poderiam ir. À medida que ele seguia a ideia, luz e linguagem o acompanhavam como dois lobos — ofegantes, ouvindo o próprio resfolegar. Um aroma informe no ar úmido… Prossiga, disse a ideia. Alguém prosseguiu.…
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Maya Angelou – Uma verdade corajosa e surpreendente

Nós, este povo, em um pequeno e solitário planetaViajando através do espaço acidentalPassando por estrelas distantes, cruzando o caminho de indiferentes sóisPara um destino onde todos os sinais nos advertem queÉ possível e imperativo que aprendamosUma verdade corajosa e surpreendente E quando chegarmos a isso, Ao dia da pacificaçãoQuando libertarmos nossos dedosDos punhos da hostilidadeE…
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Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, sua pena traçando o papel. Trouxe-o para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, capaz de escrever a sina barométricado nosso cotidiano, lá atrás,num mundo em que carrinhos de livros ao vento junto ao rioprometiam palavras selvagens,mas obedeciam ao censor. Bancos em College Greenregistravam Libras nos livros-caixa,pence…
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Anna Belle Kaufman – Frio consolo

Quando minha mãe morreu,um dos seus bolos de mel ficou no freezer.Eu não suportaria vê-lo desaparecer,então, indultado, ele esperou em sua caverna de gelo atrás das bandejas de metal por mais dois anos. No meu quadragésimo primeiro aniversário,desencavei-o do gelo,uma ressurreição retangular,e sopesei o peso morto na palma da mão. Antes que descongelasse,cortei, com uma…