Categoria: Poema
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Joan Margarit – Separado

A casa se abre para uma calçadaonde não me espera ninguém.Aqui sem ti. Um estranho.Foi aqui que eu me perdi.Caminho sem mim, contigo.Minha sombra é apenas um erro,vem dos lugares mais gélidos:teu coração e tuas mãos.Por isso eu parti.A vida desconhecidaeu a vivi sem ti.A teu lado. Trad.: Nelson Santander Separado La casa se abre…
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Lynn Ungar – Pandemia

“Pandemia”, um poema de Lynn Ungar que propõe encarar o isolamento como um tempo sagrado de pausa e reflexão, convidando à compaixão, à consciência da interconexão humana e à expansão do amor em meio à crise global.
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Carolyn Forché – Dois poemas

Penso em você naquele mar de túmulos além da cidade,onde muitas pedras foram deixadas, entre elas a minha: uma pequena lasca de dolomita para pesar um pedaço de papel.Eu teria colocado suas luvas e o guarda-chuva no caixão, juntamente com uma manhã em Berlin com Tanya, uma horade pombos ascendendo ao seu redor, lilases embrulhados…
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Fleur Adcock – Para uma criança de cinco anos

Um caracol escala o peitoril da janelado seu quarto, depois de uma noite dechuva. Você me chama para ver,e eu explico que seria cruel deixa-lo lá: ele pode rastejar até o chão; devemos cuidar para que ninguém o esmague. Você entende e o carrega para fora, com mão diligente,para comer uma flor amarela. Vejo, então,…
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Mark Wunderlich – Peônias

No pátio, as peônias rebentam em brancos corações,rebordos arredondados que desabrocham apenas para elas.Sua simplicidade, a lâmina disso, fende a manhã. Neste Brooklyn de pátios aureolados por arames farpadose roupas sujas balançando como bandeiras de rendição,vapor de resina flutuando até essas janelas, sombras viajando dos pulmões de um fumante,eu observo o helicóptero da polícia ameaçar…
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Carlos Drummond de Andrade – Aniversário

Um verso, para te salvarde esquecimento sobre a terra?Se é em mim que estás esquecida,o verso lembraria apenasesta força de esquecimento,enquanto a vida, sem memória,vaga atmosfera, se condensana pequena caixa em que morascomo os mortos sabem morar. Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui
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Lisel Mueller – Românticos

Românticos Johannes Brahms e Clara Schumann Os biógrafos modernos se preocupamem “o quão longe” foi sua terna amizade.Eles se perguntam o que exatamente significaquando ele escreve que pensa nela constantemente,seu anjo da guarda, amada amiga.Os biógrafos modernos fazem a rude e irrelevante indagaçãode nossa era como se o eventode dois corpos entrelaçados estabelecesse a medida…
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Patricia Hampl – É assim que a memória funciona

Você está desembarcando de um trem.Uma noite úmida e vazia, o cheiro de cinzas.Uma rajada de vapor vinda da locomotiva rodopiaao redor da bainha do seu sobretudo, ao redorda mão que segura a valise de couro marrom,a mão que, há pouco, penteou para tráso cabelo e em seguida ajeitou o fedoradefronte a um espelho com…
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Howard Nemerov – Figuras de pensamento

Colocar a espiral logarítmica naConcha e no papel, e vê-las se encaixar,Observar a mesma ideia funcionarNa subida do piloto de caça, ajustando a mira Em seu alvo, preparando a matança,E no voo de certos insetos estrábicosQue não conseguem ver que voam para a morteMas têm que lançar nela seu olhar de esguelhaE dirigir-se, mas girando,…
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Javier Salvago – Nada, nada importa

Se os anos ensinam alguma coisaé a pouca importânciaque tudo tem.Tudo,cedo ou tarde, passa.O amor, que vaicomo vem. A vagajuventude, com seus sonhos,suas grandes esperanças.Dias de vinho e de rosas,tempos de abundânciado coração. O brilho.A beleza. A vontadede tomar a vidade assalto. As vãsilusões— estrelasque subitamente se apagame nos deixam em umanoite escura da alma…