Categoria: Poema
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Louise Glück – Santas

Em nossa família, havia duas santas,minha tia e minha avó.Mas suas vidas foram diferentes. A vida de minha avó foi tranquila, mesmo no final.Era como alguém caminhando em águas calmas;por alguma razãoo mar não conseguia decidir-se a feri-la.Quando minha tia tomou o mesmo caminho,as ondas quebraram sobre ela, atacaram-na,que é como as Moiras respondema uma…
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Mary Oliver – Canção dos construtores

Em uma manhã de verãosentei-meem uma encostapara pensar em Deus — um passatempo digno.Perto de mim, vium único grilo;ele movia os grãos de terra da encosta para cá e para lá.Quão grande era sua energia,quão humilde o seu esforço.Esperemos que seja sempre assim,cada um de nós prosseguindo,à sua maneira inexplicável,construindo o universo. Trad.: Nelson Santander…
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Adrienne Rich – Fotografias do Hubble: Após Sappho

Leia Fotografias do Hubble: Após Sappho, de Adrienne Rich, um poema que aproxima amor, desejo e a imensidão do universo visível.
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Edward Field – Ícaro

Apenas as penas flutuando ao redor do chapéuMostravam que algo mais espetacular havia ocorridoAlém do afogamento habitual. A polícia preferiu ignorarOs aspectos confusos do casoE as testemunhas correram para uma guerra de gangues.Assim, o relatório arquivado e esquecido nos registros dizia simplesmente“Afogado,” mas estava errado: ÍcaroTinha nadado para longe, chegando finalmente à cidadeOnde alugou uma…
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Joan Margarit – Separado

A casa se abre para uma calçadaonde não me espera ninguém.Aqui sem ti. Um estranho.Foi aqui que eu me perdi.Caminho sem mim, contigo.Minha sombra é apenas um erro,vem dos lugares mais gélidos:teu coração e tuas mãos.Por isso eu parti.A vida desconhecidaeu a vivi sem ti.A teu lado. Trad.: Nelson Santander Separado La casa se abre…
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Lynn Ungar – Pandemia

“Pandemia”, um poema de Lynn Ungar que propõe encarar o isolamento como um tempo sagrado de pausa e reflexão, convidando à compaixão, à consciência da interconexão humana e à expansão do amor em meio à crise global.
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Carolyn Forché – Dois poemas

Penso em você naquele mar de túmulos além da cidade,onde muitas pedras foram deixadas, entre elas a minha: uma pequena lasca de dolomita para pesar um pedaço de papel.Eu teria colocado suas luvas e o guarda-chuva no caixão, juntamente com uma manhã em Berlin com Tanya, uma horade pombos ascendendo ao seu redor, lilases embrulhados…
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Fleur Adcock – Para uma criança de cinco anos

Um caracol escala o peitoril da janelado seu quarto, depois de uma noite dechuva. Você me chama para ver,e eu explico que seria cruel deixa-lo lá: ele pode rastejar até o chão; devemos cuidar para que ninguém o esmague. Você entende e o carrega para fora, com mão diligente,para comer uma flor amarela. Vejo, então,…
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Mark Wunderlich – Peônias

No pátio, as peônias rebentam em brancos corações,rebordos arredondados que desabrocham apenas para elas.Sua simplicidade, a lâmina disso, fende a manhã. Neste Brooklyn de pátios aureolados por arames farpadose roupas sujas balançando como bandeiras de rendição,vapor de resina flutuando até essas janelas, sombras viajando dos pulmões de um fumante,eu observo o helicóptero da polícia ameaçar…
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Carlos Drummond de Andrade – Aniversário

Um verso, para te salvarde esquecimento sobre a terra?Se é em mim que estás esquecida,o verso lembraria apenasesta força de esquecimento,enquanto a vida, sem memória,vaga atmosfera, se condensana pequena caixa em que morascomo os mortos sabem morar. Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui