Categoria: Poema
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Carlos Drummond de Andrade – Relógio do Rosário

Era tão claro o dia, mas a treva, do som baixando, em seu baixar me leva pelo âmago de tudo, e no mais fundo decifro o choro pânico do mundo, que se entrelaça no meu próprio choro, e compomos os dois um vasto coro. Oh dor individual, afrodisíaco sêlo gravado em plano dionisíaco, a desdobrar-se,…
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Miguel D’Ors – Variações sobre um tema de Stevens

Não é o canto do melro:é o silêncioque nos deixa, um silêncioque é algo diferente do silêncioporque nele ainda soaa lembrança do cantodo melro. Nem silêncionem canto: o que acontecequando o cantojá terminoue ainda não começou o silêncio.Podes chamá-lo de alma. Trad.: Nelson Santander Variaciones sobre un tema de Stevens No es el canto del…
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Seamus Heaney – [Como todo mundo]
![Seamus Heaney – [Como todo mundo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/05/0011e5d6-1600.jpg)
Como todo mundo, inclinei minha cabeçadurante a consagração do pão e do vinho,elevei meus olhos para a hóstia e para o cálice levantados,acreditei (seja lá o que isso signifique) que uma mudança ocorrera. Fui ao genuflexório e recebi o mistérioem minha língua, voltei para o meu lugar, fechei meus olhos depressa,fiz um ato de ação…
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Pattiann Rogers – Adquirindo perspectiva

Diretamente acima desta estrada,Longe das partículas de geada justapostasQue revestem a casca de cada grão-de-bico,E do rijo inseto arqueiro que avançaNo escuro da manhã, um pelo da pata de cada vez,Subindo pela haste do trílio,Diretamente para cima, através do céu sobre esta estrada, agora,As galáxias do aglomerado de Cygnus AColidem umas com as outras num…
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Wendy Cope – Para minha irmã, emigrando

“Para minha irmã, emigrando”, um poema de Wendy Cope que retrata a complexidade do vínculo entre irmãs diante da separação, usando objetos deixados para trás como símbolo de afeto contido, conflitos familiares e amor que só se revela plenamente na ausência.
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Stephen Dunn – O não dito

Uma noite, ambos precisaram de coisas diferentesdo e um tipo semelhante; ela, de consolo; ele, de ser consolado.Assim, depois de um jantar regado a vinho,quando chegaram em casa separadamenteno mesmo carro, cada um já vinha falhandocom o outro naquilo que pareciauma demora insuportável em dar o que sentia lhe ser devido.Para ela, consolo significava ser…
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Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho
![Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/07/alone.png)
Como não ser sozinho Tudo começa com a compreensãode que nada dura para sempre.Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.Mas, nesse meio tempo,pratique estar vivo. Haverá uma festaem que você sentiráque ninguém está prestando atenção em você.E haverá outraem que atenção é tudo o que você receberá.O que você precisa fazeré…
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Stevie Smith – Sozinha na floresta

Sozinha na floresta, sentiA amarga hostilidade do céu e das árvoresA Natureza ensinou suas criaturas a odiar oHomem que ferve e fumegaInquieto homemComo a seiva sobe nas árvoresComo a seiva pinta as árvores de um verde violentoAssim cresce a ira das criaturas da NaturezaContra o homemAssim pinta-se a face da Natureza de um verde violento.A…
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Jennifer Maier – Uma história verdadeira

Um homem idoso estava morrendo em um hospital,contou-me um amigo médico. Estava com oitenta e nove anos, e a vida toda fora um alfaiate em uma lojaembaixo do quarto onde nasceu. Ele não tinha ninguém, então uma bondosa enfermeira de Ganasentou-se com ele, uma mão sobre a sua, segurando um sanduíche. As ondasno monitor desaceleraram.…
