Categoria: Poema
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Stephen Dunn – O não dito

Uma noite, ambos precisaram de coisas diferentesdo mesmo tipo; ela, de consolo; ele, ser consolado.Assim, depois de um jantar regado a vinho,quando eles chegaram em casa separadosno mesmo carro, cada um já havia falhado como outro com o que pareciaum insuportável atraso do que sentiam lhes ser devido.Consolo significava para ela ser compreendidatão bem que…
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Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho
![Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/07/alone.png)
Como não ser sozinho Tudo começa com a compreensãode que nada dura para sempre.Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.Mas, nesse meio tempo,pratique estar vivo. Haverá uma festaem que você sentiráque ninguém está prestando atenção em você.E haverá outraem que atenção é tudo o que você receberá.O que você precisa fazeré…
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Stevie Smith – Sozinha na floresta

Sozinha na floresta, sentiA amarga hostilidade do céu e das árvoresA Natureza ensinou suas criaturas a odiar oHomem que ferve e fumegaInquieto homemComo a seiva sobe nas árvoresComo a seiva pinta as árvores de um verde violentoAssim cresce a ira das criaturas da NaturezaContra o homemAssim pinta-se a face da Natureza de um verde violento.A…
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Jennifer Maier – Uma história verdadeira

Um homem idoso estava morrendo em um hospital,contou-me um amigo médico. Estava com oitenta e nove anos, e a vida toda fora um alfaiate em uma lojaembaixo do quarto onde nasceu. Ele não tinha ninguém, então uma bondosa enfermeira de Ganasentou-se com ele, uma mão sobre a sua, segurando um sanduíche. As ondasno monitor desaceleraram.…
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Daniel Jonas – Roma

“Roma”, um poema de Daniel Jonas que converte a cidade eterna em metáfora da relação desfeita, onde a beleza persiste como ruína exposta ao tempo.
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Karl Shapiro – Inverno na Califórnia

É inverno na Califórnia, e no exteriorÉ como o interior de uma floricultura:Uma fresca e úmida culturaDe camélias rosas delimita a vertente;E que raras rosas para um banquete ou um amor,Tão numerosas que semelham uma enchente! Uma fileira de lesmas cruza o verde gramadoDas roseiras ao canteiro de heras;Um composto arsênico é distribuído para elas;O…
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Philip Larkin – O cortador

O cortador parou, duas vezes; ajoelhado, descubro Um ouriço preso entre as lâminas,Morto. Estava na grama crescida. Já o havia visto antes, e até o alimentara uma vez. Agora eu havia maltratado seu discreto mundo de forma Irremediável. O enterro não ajudou: Na manhã seguinte eu me levantei e ele não.No primeiro dia após a morte, a nova…
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Donizete Galvão – Não sabe

O amor que não sabe morrerpersiste no olhar do cãoabandonado que,ao menor gesto,abana o rabona espera do afago.Está no vaso de plantaesquecido no sobradosem moradores. O amor que não sabe morrernão pretende tocar o céu.Quer ficar aqui mesmo –pedestre, incauto e reles.Não ouve a ladainha dos mortos.Nem quer a extrema-unção.
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Maya Angelou – Quando as grandes árvores caem

Quando as grandes árvores caem,rochas de colinas distantes estremecem,leões se escondemna relva alta,e até os elefantesarrastam-se em busca de segurança. Quando as grandes árvores caemna floresta,pequenas coisas recolhem-se ao silêncio,seus sentidoserodidos para além do medo. Quando grandes almas morrem,o ar ao nosso redor se tornaleve, raro, estéril.Nós respiramos, brevemente.Nossos olhos, brevemente,enxergam comuma dolorosa nitidez.Nossa memória,…
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Joyce Sutphen – Como acabamos juntos

Ele era bom em uma emergência, calmono meio de uma tormenta. Acidentesnão o surpreendiam; ele estava sempre pronto para o que quer que surgisse. Vocêpodia contar com ele; você podia fazerum acordo que ele cumpriria, mesmo se você não pudesse. Os acordos dele eram impossíveis;os acordos dele eram feitos para você falhar,e ao falhar você…