Categoria: Poema
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Jeannine Hall Gailey – Eu não paro

Eu não paro De ser alguém que busca o lado escuro.Que procura as estatísticas criminais da Disneylândia.Que procura por monstros sob a cama.Além disso, não paro de tirar fotos de floresembora tenhamos nove meses de chuva.Não paro de me perguntar se os colibris daquiestão condenados, se os gansos-das-neves serão envenenadosem um abandonado lago de mina…
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David Budhill – O lenhador muda de ideia

Quando eu era jovem, cortei as árvores maiores e mais velhas para lenha, aquelaspodres em seu cerne, de galhos mortos e partidos, as mutiladas e deformadas porque, raciocinei, elas tombariam logo de qualquer forma, epor isso, eu deveria dar às mais jovens mais luz e espaço para vicejarem. Agora que estou velho derrubo as árvores…
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Ricardo Silvestrin – Sacos

Estamos repletos de inutilidades,suas, minhas,inutilidades de família,de valor inestimável. Quinquilharias, ninharias,boiando no pó, atiradas em caixas,envelopes rasgados, gavetas. Ninguém se arrisca a botar foraesses tesouros de um reino perdidoentre os guardados. Em quantos sacos de lixo,sacos grandes de cem litros,vai caber todo o passado? Adquira outras obras de Ricardo Silvestrin clicando aqui
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Lisel Mueller – Desenhos de criança

1 O sol pode estar visível ou não(pode estar atrás de você,o expectador dessas imagens)mas o céu é sempre azulse é dia. Se não,as estrelas estão quase ao seu alcance;inclinadas, elas chegam até você,na iminência de cair.Nunca é nascer ou pôr do sol;não há nenhum olho ensanguentadoespiando você no horizonte.É claramente dia ou noite,é brilhante…
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Carlos Drummond de Andrade – Relógio do Rosário

Era tão claro o dia, mas a treva, do som baixando, em seu baixar me leva pelo âmago de tudo, e no mais fundo decifro o choro pânico do mundo, que se entrelaça no meu próprio choro, e compomos os dois um vasto coro. Oh dor individual, afrodisíaco sêlo gravado em plano dionisíaco, a desdobrar-se,…
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Joyce Carol Oates – Este não é um poema

Este não é um poema em que o poeta descobredelicados ossos branco-ressequidosde uma pequena criaturaem uma margem do Grande Lagoou os restos desidratadosdos mais grotescos atropelamentosao lado da apressada rodovia. Nem é um poema em queum espelho partido concebeuma face assustada,ou gramas secas sibi-lando como consoantesem uma língua estrangeira.Álbum de fotos de famíliarepleto de saudososestranhos…
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Miguel D’Ors – Variações sobre um tema de Stevens

Não é o canto do melro:é o silêncioque nos deixa, um silêncioque é algo diferente do silêncioporque nele ainda soaa lembrança do cantodo melro. Nem silêncionem canto: o que acontecequando o cantojá terminoue ainda não começou o silêncio.Podes chamá-lo de alma. Trad.: Nelson Santander Variaciones sobre un tema de Stevens No es el canto del…
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Seamus Heaney – [Como todo mundo]
![Seamus Heaney – [Como todo mundo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/05/0011e5d6-1600.jpg)
Como todo mundo, inclinei minha cabeçadurante a consagração do pão e do vinho,elevei meus olhos para a hóstia e para o cálice levantados,acreditei (seja lá o que isso signifique) que uma mudança ocorrera. Fui ao genuflexório e recebi o mistérioem minha língua, voltei para o meu lugar, fechei meus olhos depressa,fiz um ato de ação…
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Pattiann Rogers – Perspectiva de alcance

Lá em cima, longe desta estrada,Longe das partículas de geadaQue revestem a casca de cada gravanço,E do rijo inseto arqueiro em seu avançoNa escuridão da manhã, pata farpada por pata farpada,Subindo pela haste do trillium,Diretamente ao longo do céu sobre esta estrada agora,As galáxias do aglomerado de Cygnus AEstão colidindo umas com as outras em…
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Wendy Cope – Para minha irmã, emigrando

“Para minha irmã, emigrando”, um poema de Wendy Cope que retrata a complexidade do vínculo entre irmãs diante da separação, usando objetos deixados para trás como símbolo de afeto contido, conflitos familiares e amor que só se revela plenamente na ausência.