Categoria: Poema
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Ada Limón – O ano dos pintassilgos

Eram dois pendendo e pairando próximosda poça de lama e do cardo almiscarado.Esvoaçando de um poste partidopara outro, banhando-se no reflexo da água da chuvacomo se fosse um espelho para algum outro universoonde as coisas fossem mais aceitáveis, mais fáceisdo que no lugar onde eu vivia. Eu os observaria:o exibido macho brilhante, a mirradafêmea, em…
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Wendell Berry – Tudo de que precisamos está aqui

Gansos surgem bem acima de nós,passam, e o céu se fecha. O abandono,como no amor ou no sono, os mantémno seu caminho, clarona antiga fé: tudo de que precisamosestá aqui. E oramos, nãopor uma terra ou um céu novos, mas para termoscalma no coração, e no olhar,clareza. Tudo de que precisamos está aqui. Trad.: Nelson…
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Lisel Mueller – Coisas

O que aconteceu é que nos sentimos solitáriosvivendo entre as coisas,por isso demos ao relógio um rosto,à cadeira um encosto,à mesa quatro pernas robustasque jamais sofrerão fadiga. Calçamos nossos sapatos que têm línguastão macias quanto as nossase penduramos linguetas dentro dos sinospara podermos ouvirsua linguagem emocional, e porque adoramos perfis elegantesa jarra recebeu boca,a garrafa…
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Noël Coward – Nada se perde

No fundo do nosso subconsciente, nos é dito,Repousam todas as nossas memórias, todas as notasDe toda música que já ouvimos,E o que disseram os que amamos, cada frase pronunciada,Tristezas e perdas que desde então o tempo tem consolado,Piadas de família, caquéticas anedotasCada souvenir sentimental e cadaSímbolo de tudo o que já vimos e vivemos,Cada palavra…
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Claudia Rankine – Intempérie

Em um pedaço do papel no arquivo está escritoesqueci minha sombrinha. Acontece queem uma pandemia todos, não só o filósofo,estamos sem uma. Nós batalhamos na seca de informaçõesretidas por investidores privilegiados. Gota a gota. Protegendoo rosto? Sim. Distanciamento social? Sete palmossob a terra por condições subjacentes. Pretos.Apenas nós e os azuis ajoelhados em um pescoçocom…
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R S Thomas – Charneca

É bela e quieta; o ar rarefeitocomo o interior de uma catedral à espera de uma presença. É também onde ocorre o tartaranhão,materializando-se do nada, neve- suave, mas com garras de fogo, …
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Antonio Cicero – O livro de sombras de Luciano Figueiredo

O livro de sombras de Luciano Figueiredo 1 Para onde vou, de onde vim? Não sei se me acho ou me extravio. Ariadne não fia o seu fio à frente, mas sim atrás de mim. Não será a saída um desvio e o caminho o verdadeiro fim ? 2 Não é hora de regressos Não…
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Jane Hirshfield – Hoje, outro universo

O arborista determinou:senescência pragas cancroacelerado pela seca| mas, em qualquer caso,não podável não tratável não passível de escoras. E assim. O ramo de onde gritam o gavião-miúdo e…
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Ahmad ‘Abd al-Mu’ti Hijazi – Morte súbita

trago comigo o meu número de telefoneo meu nome e endereçoe assim se de súbito cair mortopodereis identificar-mee meus amigos virão Fancy, aconteça o que acontecernão venhas.ficarei na morgue duas longas noitesfrios fios de telefone agitar-se-ão na noite.a campainha começará.sem resposta… uma vez… duas. alguém irá ter com a minha mãee lhe dirá que eu…
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Galway Kinnell – Aquela noite silenciosa

Eu voltarei àquela noite silenciosaem que nos deitamos juntos e conversamos em vozes baixas, silenciosas,enquanto do lado de fora caíam lentos fragmentos de nevesuave, silenciando ao se aproximar do solo,com um incêndio no quarto, onde séculosde árvores evolaram-se em contínuas almas-ausentando-se,sem um estalido, até a luz da manhã.Só dormimos quando o que se apressava mais…