Categoria: Poema
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Jack Gilbert – Fracasso e voo

O fracasso não encerra a experiência: dele pode nascer uma forma inesperada de grandeza. Jack Gilbert aproxima amor, casamento e mortalidade para observar como a vida se eleva justamente quando aceita risco e imperfeição.
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Pedro Salinas – Não quero que te vás

Não quero que te vás,dor, última formade amar. Sinto-me vivoquando me dóis,não em ti, nem aqui,mais longe: na terra, no anode onde tu vens,no amor com elae tudo o que foi.Nessa realidadesubmersa que se negaa si mesma e insisteem nunca ter existido,que foi apenas um pretextoque encontrei para viver.Se tu não me restasses,ó dor irrefutável,até…
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Carlos Drummond de Andrade – Romaria

Romaria A Milton Campos Os romeiros sobem a ladeira cheia de espinhos, cheia de pedras,sobem a ladeira que leva a Deuse vão deixando culpas no caminho. Os sinos tocam, chamam os romeiros: Vinde lavar os vossos pecados.Já estamos puros, sino, obrigados,mas trazemos flores, prendas e rezas. No alto do morro chega a procissão.Um leproso de…
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Octavio Paz – Irmandade

Homenagem a Claudio Ptolomeo Sou homem: duro poucoe enorme é a noite.Mas olho para cima:as estrelas escrevem.Sem entender, compreendo:também sou escritae neste exato instantealguém me soletra. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: Poema publicado no blog originalmente em 07/10/2017 – agora traduzido por mim Hermandad Homenaje a Claudio Ptolomeo Soy hombre: duro…
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Joan Margarit – Cumprimentar-se

Aprendeste o gesto com os anos.Encontras o vizinho, vos cumprimentais,lado a lado, dois velhos na calçadacada um fechando a própria porta.As casas. E a convenção generosade algumas palavras na rua.Para além, já nada mais restaque esta paixão final, a calmasolitária e feroz das recordaçõessob um pedaço de azul nítido como um cálculo.Em seu quintal, cada…
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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizerque a vida é bela, e muito,e que a revolução caminha com pés de flornos campos de meu país,com pés de borrachanas grandes cidades brasileirase que meu coraçãoé um sol de esperança entre pulmõese nuvens Poderia dizer que meu povoé uma festa só na vozde Clara Nunesno rodardas cabrochas no Carnavalda Avenida.Mas não. O…
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Ada Limón – O que eu quero lembrar

Logo antes da casa do general Vallejo,com suas imponentes pedras e paredes amarelas, há um campo ao longo do caminhopara o qual as chuvas de primavera conduzem os sapos, toda uma sinfonia deles, inaugurandoas horas logo após o sol afundar no Oceano Pacífico, a apenasuma hora de distância. Por que estou colocando você aqui? Estou…
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Mário Chamie – Cervo, Servo

1. E vem: som em torno, rumorações de margem, várzea vagido entre o mato de onde o mato cerca rinha menor de vinda. Refém: já muxoxo, convocações de talos, talhos rangidos entre o pasto de onde o pasto fecha largo maior de lida. Também: alto vôo, movemenções de asas,…
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Hart Crane – Louvor a uma urna

Louvor a uma urna In Memoriam: Ernest Nelson Era do norte o rosto ternoDe falso exilado, juntandoDe Pierrô o olhar eternoE a gargalhada de Gargantua. Os sonhos que me confiavaDo travesseiro branco, insone,Agora eu sei, eram heranças –Corcéis suaves do ciclone. No monte oblíquo a lua oblíquaNos deu presságios indistintosDo que ainda vivo o morto…
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Elizabeth Bishop – A Arte de Perder

A arte de perder não é nenhum mistério;Tantas coisas contêm em si o acidenteDe perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,A chave perdida, a hora gasta bestamente.A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério:Lugares, nomes, a escala subseqüenteDa viagem não…