Categoria: Poema
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Giuseppe Ungaretti – Céu Claro

Bosque de Courton, julho de 1918 Depois de tantanévoaumaa umase desvelamas estrelas Respiroo frescorque me deixaa cor do céu Me reconheçoimagempassageira Presa de um cicloimortal Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 15/09/2017 Sereno Bosco di Courton Iuglio 1918 Dopo tantanebbiaa unaa unasi svelanole stelle. Respiroil frescoche mi lasciail colore del…
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Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora depois de Jorge Luis Borges Você é invulnerável.A única constante é a mudança.Tal repetição leva à nostalgiado presente. Tenso e tímidovocê recita este livro de cor. Àscegas, você me confia à memória.O calvo e impertinente filósofosabe que o caráter do homem é o seu destino.Este poema – não vivo, mas…
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Nicanor Parra – Acácias

Passeando anos atráspor uma rua cheia de acácias em florsoube por um amigo bem informadoque você tinha acabado de se casar.Respondi que por certoeu não tinha nada a ver com o assunto.Mas apesar de nunca ter amado você– e disso você sabe melhor do que eu –cada vez que florescem as acácias– imagina só –sinto…
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Tyree Daye – Rio Neuse

Diga-lhes para não iremsozinhos às margens. Diga-lhes ondepodem beber sem olharpor cima dos ombros. Diga-lhes que o afogamentovem em terceiro na sua lista de preocupações.A primeira é deite-se, a segunda, venha cá.Mesmo a água em que fui batizadanão é segura. Eu sabia que Deusera homem porque ele pôsum bebê em Maria sem apermissão dela. Trad.:…
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargobastao amor Agridoce,ela disse Mas a mimpareceuamargo CADEIRA I Repetesdiariamenteos gestosdo primeiro homemque se sentounuma tarde quenteolhando as savanas II Pousode gigantescos pássaroscansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesaessas doces evidênciasda morte? CRISTALEIRA Guardae revelaa nudezbrancada louçao incêndiodespareadodos cristais TALHERES Colher Se o sol nelabatesseem cheiopor exemplonuma mesa postano jardimimediatamente…
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Lisel Mueller – Há manhãs

Mesmo agora, quando o enredoexige que eu me torne pedra,o sol intervém. Em certas manhãsde verão saio de casae o céu se abree se derrama dentro de mimcomo se eu fosse uma santaprestes a morrer. Mas o enredoexige que eu viva,seja comum, não diga nadaa ninguém. Dentro de casaos espelhos ardem quando passo. Trad.: Nelson…
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W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Contemplando as estrelas, logo eu discirnoQue, por elas, eu posso ir para o inferno,Porém, na terra, a indiferença é o que menosTemos a temer, de animais e humanos Como seria se os astros de paixãoPor nós ardessem e disséssemos não?Se os afetos nunca podem ser iguaisPois que seja eu aquele que ama mais. Por mais…
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John Murillo – Variações sobre um tema de Elizabeth Bishop

Comece com a perda. Perca tudo. Então perca tudo outra vez.Perca uma boa mulher em um dia ruim. Encontre uma mulher melhor,e depois perca cinco amigos correndo atrás dela. Aprenda a perder como sesua vida dependesse disso. Aprenda que sua vida depende disso.Aprenda como se aprende caratê, ou a andar de bicicleta. Aprenda-o, domine-o.Perca dinheiro,…
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Ricardo Silvestrin – Bilhete

Não me parecias frágil,via-te doce.Talvez fosses mesmo forte,é preciso ser valentepra decretar a própria morte. Tinha-te por calmo.Que rio obscuro e discretote puxava para o fundo,sem saber nadar,sem ninguém saber de nada? Não deixaste uma carta,um poema, um bilhete de suicida.Como se quisesses dizerque a mortenão deve explicações à vida REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…
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Timothy Liu – Os restos

Os restos —Wuxi, China Saindo do novo cemitério, meu paipegou a minha mão, tendo acabado de reenterrar os restosmortais de seu próprio pai e suas duas esposas —sua mãe morrera de tuberculose quando ele tinha dez anos. Ele pegou a minha mão e disse: Agora posso morrer em pazmesmo que não tenhamos os ossos verdadeiros. Os…