Categoria: Poema
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Emily Dickinson – Morri pela Beleza

Morri pela Beleza – e assim que no JazigoMeu Corpo foi fechado,Um outro Morto foi depositadoNum Túmulo contíguo – “Por que morreu?” murmurou sua voz.“Pela Beleza” – retruquei –“Pois eu – pela Verdade – É o Mesmo. NósSomos Irmãos. É uma só lei” – E assim Parentes pela Noite, sábios –Conversamos a Sós –Até que…
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Linda Pastan – O adeus de Dido

O adeus de Dido Incessante é a chuvaem minhas vidraças, e as velas se afogamem sua própria cera.Abandonados pela luz,até os filamentos de estrelasescurecem. Esta tardeescorei com estacassuas rosas encharcadas,elas agora lembram jovens meninasapoiadas em muletas. Você deixouum mapa parcialde sua mão direitaem cada maçaneta,e eu sigo de salaem sala, nômadeem minha própria casa,o coração…
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Ana Martins Marques – Penélope (I)

Leia “Penélope (I)”, de Ana Martins Marques, um poema inspirado na mitologia clássica que explora o tempo, a espera e o constante desfazer da experiência humana.
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Li-Young Lee – Das flores

Das flores vemeste saco de papel pardo com os pêssegosque compramos do meninona curva da estrada onde dobramos em direção às placas escritas Pêssegos. Dos galhos carregados, das mãos,da doce comunhão nas latas,vem o néctar da beira da estrada, suculentospêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,vem o pó familiar do verão, pó que…
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Raymond Carver – O que o médico disse

Ele disse não parece bomele disse parece mau aliás muito mauele disse eu contei trinta e dois deles em um pulmão antesde parar de contareu disse fico feliz não ia querer saberque tem mais do que isso láele disse por acaso você é religioso você se ajoelhaem bosques na floresta e se permite pedir ajudaquando…
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Malena Mörling – Simplesmente iluminado

Muitas vezes, ao cair da tarde,depois de mais um dia, depois demais um ano de dias,no meia-luz, a caminho de casa,paro no mercadoe, aguardando na fila, me pegopensando nas pessoas. Pergunto-mese elas também se perguntam como é estranho que nós estejamosaqui na terra.E como, para viver, todos precisamos dormir.E como temos camas para isso(a menos…
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Raymond Carver – Medo

Medo de ver a polícia estacionar à minha porta.Medo de dormir à noite.Medo de não dormir.Medo de que o passado desperte.Medo de que o presente alce voo.Medo do telefone que toca no silêncio da noite.Medo de tempestades elétricas.Medo da faxineira que tem uma pinta no queixo!Medo de cães que supostamente não mordem.Medo da ansiedade!Medo de…
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Javier Salvago – Canção para esse dia

Agora simjá se vêo porvir.Agora simé o fim que está aqui. Que esta é– agora sim –a vetustez:a aridez,não esperarnenhum trem. Agora simo naviovai partir.Sem saberse é o fimou o além. Acabou,não há maisshow.Cai a cortina,Diz adeuso ator. Agora simé o fimque está aqui.Agora simjá se vêo porvir. Trad.: Nelson Santander Canción para ese día…
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
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Rainer Maria Rilke – A nós nos cabe andar

I.22 A nós, nos cabe andar.Mas o tempo, os seus passos,são mínimos pedaçosdo que há de ficar. É perda puratudo o que é pressa;só nos interessao que sempre dura. Jovem, não há virtudena velocidadee no voo aonde for. Tudo é quietude:escuro e claridade,livro e flor. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…