Categoria: Poema
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Raymond Carver – O que o médico disse

Ele disse não parece bomele disse parece mau aliás muito mauele disse eu contei trinta e dois deles em um pulmão antesde parar de contareu disse fico feliz não ia querer saberque tem mais do que isso láele disse por acaso você é religioso você se ajoelhaem bosques na floresta e se permite pedir ajudaquando…
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Malena Mörling – Simplesmente iluminado

Muitas vezes, ao cair da tarde,depois de mais um dia, depois demais um ano de dias,no meia-luz, a caminho de casa,paro no mercadoe, aguardando na fila, me pegopensando nas pessoas. Pergunto-mese elas também se perguntam como é estranho que nós estejamosaqui na terra.E como, para viver, todos precisamos dormir.E como temos camas para isso(a menos…
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Raymond Carver – Medo

Medo de ver a polícia estacionar à minha porta.Medo de dormir à noite.Medo de não dormir.Medo de que o passado desperte.Medo de que o presente alce voo.Medo do telefone que toca no silêncio da noite.Medo de tempestades elétricas.Medo da faxineira que tem uma pinta no queixo!Medo de cães que supostamente não mordem.Medo da ansiedade!Medo de…
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Javier Salvago – Canção para esse dia

Agora simjá se vêo porvir.Agora simé o fim que está aqui. Que esta é– agora sim –a vetustez:a aridez,não esperarnenhum trem. Agora simo naviovai partir.Sem saberse é o fimou o além. Acabou,não há maisshow.Cai a cortina,Diz adeuso ator. Agora simé o fimque está aqui.Agora simjá se vêo porvir. Trad.: Nelson Santander Canción para ese día…
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
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Rainer Maria Rilke – A nós nos cabe andar

I.22 A nós, nos cabe andar.Mas o tempo, os seus passos,são mínimos pedaçosdo que há de ficar. É perda puratudo o que é pressa;só nos interessao que sempre dura. Jovem, não há virtudena velocidadee no voo aonde for. Tudo é quietude:escuro e claridade,livro e flor. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…
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Matthew Sweeney – Crucificação

Eu cozinhava uma beterraba quando a campainha tocou.‘Quem será a essa hora?’, murmurei, marchandopara a porta. Quando a abri, o sol brilhavatanto que só vi silhuetas, mas discernique pairava sobre tudo uma grande cruz preta.Havia dois homens, um com cara de bode,o outro um sujeito enorme com um cigarrona boca e suor no rosto de…
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Derek Walcott – O Amor Depois do Amor

“O Amor Depois do Amor”, um poema de Derek Walcott que celebra o reencontro consigo mesmo como a mais profunda forma de amor, quando finalmente nos sentamos à mesa da própria vida.
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Gillian Clarke – Advento

Tempos sombrios. Dezembro.O eixo da terra inclinadoe os minutos caem do diaum pouco de cada vez. Assim, dormimos além da escuridão,sonâmbulos das horas cinzentas.Impossível crer na luz,ou em um nascimento, até esta alvorada invernal, a raposavoltando para casa com sangue na boca,todos os elementos químicos da aurora em seus olhos,e o céu abismado. Trad.: Nelson…
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Roger Wolfe – Pálpebra

Pedro Salinasdisse num poema1que não quer deixar de sentira dor da ausênciada mulher que amaporque isso é tudoo que dela fica:a dor.Não me recordo das suas palavras exactas.Ele di-lo melhor do que eu.Eram outros tempos.Salinas está morto.A mulher que ele amava também.Em breve o estaremos todos.A vida é uma simples pálpebra.Abre os olhose fecha-os. Trad.:…