Categoria: Poema
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Mario Quintana – Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.Agora todos os caminhos vêm.A casa é acolhedora, os livros poucos.E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 10/01/2018
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Maria Mazziotti Gillan – Foi uma semana

“Foi uma semana … de olhar para cima, para dentro, abaixo da superfície e para o passado.”—New York Times, D3, May 5, 2013 Este ano foi assim para mim, você, morto já há três anos e transposto para aquele outro lugar onde eu não possotoca-lo, e que deixei para trás olhando para cima, para aquele…
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Tomas Tranströmer – Minnena Ser Mig (em duas traduções)

Memórias que me Observam Manhã de Junho, cedo demais para acordar,tarde demais para adormecer. Tenho de sair – é densa a folhagem dasmemórias, perseguem-me com o seu olhar. Não se deixam ver, misturam-se todascom o fundo, verdadeiros camaleões. Tão perto estão que as ouço respiraremaqui onde o canto do pássaro ensurdece. Trad.: José…
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Mary Oliver – Flores brancas

Ontem à noiteno campoeu me deitei no escuropara pensar na morte,mas em vez disso adormeci,como se estivesse em um quarto vasto e inclinadorepleto daquelas flores brancasque se abrem todo verão,viscosas e desordenadas,nos tépidos campos.Quando desperteia luz da manhã deslizavaperante as estrelas,e eu estava cobertade flores.Não seicomo aconteceu —não seise meu corpo mergulhoupara baixo das adocicadas…
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Rainer Maria Rilke – Fonte Romana

Vila Borghese Duas velhas bacias sobrepondosuas bordas de mármore redondo.Do alto a água fluindo, devagar,sobre a água, mais embaixo, a esperar, muda, ao murmúrio, em diálogo secreto,como que só no côncavo da mão,entremostrando um singular objeto:o céu, atrás da verde escuridão; ela mesma a escorrer na bela pia,em círculos e círculos, constante-mente, impassível e sem…
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Andrea Cohen – Barganha

Pagamos-lhe quasenada — menos do que o poucoque ele pedira — para nos levar ao anoitecer das pirâmidesem camelos deserto adentro.Estipêndio tão escasso para nos levar, sem reclamar, para tão longe —até aqui, sem uma estrela. Estávamos no meio do nada, ou em sua borda.Amigos, perguntou ele, de dentro daquela escuridão,quanto vocês me pagarãopara leva-los…
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Giuseppe Ungaretti – Vigília

“Vigília”, um poema de Giuseppe Ungaretti que transforma a noite ao lado do cadáver de um companheiro em revelação extrema: diante da morte brutal, o apego à vida torna-se absoluto.
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Dan Albergotti – Coisas para fazer no ventre da baleia

Meça as paredes. Conte as costelas. Registre os longos dias.Olhe para o céu azul por entre os esguichos. Faça pequenas fogueirascom os cascos partidos dos barcos de pesca. Pratique sinais de fumaça.Ligue para os velhos amigos e escute os ecos de vozes distantes.Organize sua agenda. Sonhe com a praia. Busque por toda jornadapelo pálido brilho…
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Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…
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Judith Hemschemeyer — Naquele verão

Naquele verãodepois que você se enforcousem perguntar a ninguém que o amavase eles podiam suportar dei por mim arrastando mangueirasregando cada centímetro desse imenso gramadodia após diaperfeito obcecadaincapaz de deixar mais alguma coisauma única folha de gramamorrer. Trad.: Nelson Santander That Summer That summer after you hanged yourself without asking anyone who loved you if…