Categoria: Poema
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Ruth Lepson – No dia da audiência do nosso divórcio

No dia da audiência do nosso divórcio você me convidou para almoçar em uma cantina.Nunca tínhamos sido tão gentis um com o outro.Quando você disse que eu ainda era uma desleixada, nós rimos.Depois do almoço, ficamos no estacionamento.Você disse: você tem a última palavra,mas eu respondi, Não, estou cansada de seraquela que resume tudo.Você tem…
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Mario Benedetti – Angelus

Quem imaginaria que este seria o destino? Vejo a chuva através de letras invertidasUma parede com manchas que parecem dignitáriosOs tetos dos ônibus brilhantes como peixesE essa melancolia que impregna as buzinas Aqui não há céu,Aqui não há horizonte. Há uma mesa grande para todos os braçosE uma cadeira que gira quando quero fugir.Outro dia…
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Kwame Opoku-Duku – Eles irão lhe perguntar onde dói mais

Bendita seja a amarguraem sua essência, aquela luz calmaque fica cada vez mais calma,como o murmúrio abafado que escapade seus lábios enquanto você dorme.Eles irão lhe perguntar, criança,o que você sabe sobre o sofrimento.Eles irão lhe perguntar onde dóimais quando a dor se transforma,como o comprimento de onda da luzno céu noturno, quando os gritosde…
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Inês Lourenço – Sala Provisória

Nunca se sabequando estamos num lugarpela última vez. Numa casaque vai ser demolida, numa salaprovisória que vai encerrar, num velhocafé que mudará de ramo, comopágina virada jamais reaberta, comocanção demasiado gasta, comoabraço tornado irrepetível, numaporta a que não voltaremos. REPUBLICAÇÃO: publicado no blog originalmente em 02/12/2018
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Maria do Rosário Pedreira – retina

retina Eu, que nunca pensei deixar de serfilha, faço agora de mãe da minha mãeaos domingos: sou a sua muleta nos longos corredores da casa antiga echego-lhe mantas aos joelhos porqueos velhos tremem em vida com o frioda morte. Para fugir às coisas que a entristecem, pergunto-lhe por gentedo passado, pois sei que o que…
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Inês Lourenço – Balada dos Amores Difíceis

“Balada dos Amores Difíceis”, um poema de Inês Lourenço que celebra os amores anônimos e persistentes, aqueles que sustentam o mundo sem jamais se tornarem lenda ou verso célebre.
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Les Murray – Criação contínua

Não trazemos nada para este mundoexceto nossa capacidade gradual de criá-lo, dentre tudo o que desaparecee tudo o que viverá mais que nós. Trad.: Nelson Santander Continuous Creation We bring nothing into this worldexcept our gradual abilityto create it, out of all that vanishesand all that will outlast us.
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Ursula K. Le Guin – Parentesco

Ardendo muito lentamente, a grande árvore da florestase ergue da sutil cavidade de nevederretida ao seu redor pelo brando e duradourocalor de seu ser e de sua vontade de serraiz, tronco, ramo, folha, e de conhecer aterra escura, a luz do sol, o toque do vento, o canto do pássaro. Desenraizados, desassossegados e de sangue…