Categoria: Poema
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Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]
![Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/img_53191-scaled.jpg)
Amo a vida simples,de me sentar à entradapara ver as pessoas passar,como se move um pardal,como se inclina a tardenas casas do corpo. Já sei que morrereimuito antes de morreremas árvores que amo. Mas isso não me preocupa,porque no instanteem que se me romper o último fioserei só aquela mulherque se sentava à entradapara simplesmente…
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Nisha Atalie – Fazer/Não fazer

Eu cheiro o Lírio Tigre em flor,duas línguas saltandode uma boca. Eu enveneno o rio involuntariamente.Marcho nos caminho demarcados. Eu corto a montanha, seu corpo e sua boca escancarados.Recolho a água da chuva em um carrinho de mão. Eu forro o ventre da baleia com presentes atéque eles dilacerem seu estômago.Eu rego os morangos. Novamente…
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Ana Martins Marques – História

Leia “História”, de Ana Martins Marques, um poema original e filosófico sobre tempo, memória e as múltiplas temporalidades presentes no cotidiano.
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Vievee Francis – Estive pensando de novo no amor

Estive pensando de novo no amor Há os que vivem para recebê-loe os que vivem para dá-lo. Claro que existem aqueles para quem ambas as coisas são verdade,mas nunca na mesma medida. Aqueles que o têm para dar são como cardeais na neve. Tão fáceise lindamente iluminados. Algunssão como coelhos. Difíceis de verexceto para aqueles…
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Marcia Vinci – Mãe Solteira

dadeiraparideiranutrizcriadeiratoda mãeé sozinhatoda mãeé solteira REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 12/03/2018
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Raymond Carver – Chuva

Despertei esta manhã com a urgênciaterrível de permanecer na cama o dia inteiroe ler. Lutei contra isso por um minuto. Depois olhei a chuva pela janela.e me rendi. Coloquei-me inteiramentenas mãos dessa manhã chuvosa. Viveria minha vida novamente?Cometeria os mesmos erros imperdoáveis?Sim, se tivesse a mínima chance. Sim. Trad.: José Antônio Cavalcanti Rain Woke up…
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Vicente Gaos – Testamento

Eu, Vicente Gaos, natural do nada, de mil séculos de idade, de estado civilsolitário, instáveldomiciliado/refugiado num canto do cosmos,de profissão náufrago na sombra,sem carteira de identidade, sem títulos, condecorações nem diplomas de espécie alguma,sem qualquer sinal particular visível no peito nem em nenhuma outra parte do corpo,sem outra cicatriz além de uma necrose do miocárdio,uma…
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George Bilgere – Tudo bem

Estou aqui sentado na calçada, envelhecendo em um café,soltando a fumaça amarela e doentia da decomposiçãoenquanto as pessoas passam fingindonão notar, desviando o olhar para longeou para os seus telefones,fazendo o possível, por educação ou choque,para me ignorar sentado aqui envelhecendo,e eu não os culpo, é difícil de ver. E agora a garçonete em sua…
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Ernesto Pérez Vallejo – Perdão, falava em voz alta

Queres mesmo que eu seja sincero? Se não esperas nada de ninguémNunca poderão desapontá-la.A esperança é aquele relógioque sempre marca a hora errada. Se não escolheres o caminho errado algumas vezescomo diabos saberás qual deles era o certo? Nos momentos felizes, não sabemos ao certo se estamos tristes.Mas, quando tristes, todos sabemos quando estávamos felizes.…
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Elizabeth Jennings – Uma só carne

Cada qual em sua cama, deitados separados agora,Ele com um livro, uma luz acesa até hora incerta,Ela, como uma menina, sonhando com sua aurora,Todos os homens em outros lugares – é como se certaNova ocorrência esperassem: o livro que ele detémMas não lê, os olhos dela pregados nas sombras além. Lançados acima como destroços de…