Maria Mazziotti Gillan – Foi uma semana

Foi uma semana

… de olhar para cima, para dentro, abaixo da superfície e para o passado.”
—New York Times, D3, May 5, 2013

Este ano foi assim para mim, você, morto já
há três anos e transposto para aquele outro lugar onde eu não posso
toca-lo, e que deixei para trás olhando para cima, para aquele lugar
que eu imaginava ser o céu e onde espero que você possa sentir
minha falta. A NASA anunciou seus planos de trazer uma amostra de Marte
para a Terra. Gostaria de imaginar que eu poderia trazer de volta alguma
recordação sua, embora meu amigo me diga que tenho que
deixa-lo ir. Li sobre um inseto de 23 milhões de anos,
de uma espécie até então desconhecida encontrada na Europa,
tão perfeitamente preservado em âmbar que cada pequeno segmento
do bicho de 1,8 polegada de comprimento é claramente visível,
com todo seu tecido mole intacto. Sentada em minha poltrona agora,
à noite, em nossa sala de estar, minhas pernas levantadas,
meus olhos fixos firmemente na tela da TV, em que assisto
programas britânicos de mistério, subitamente vislumbro uma imagem
de mim mesma preservada em âmbar, lágrimas no rosto,
o controle remoto da TV ainda firmemente posicionado em minha mão.
O que os cientistas do futuro fariam comigo?
Esta mulher rechonchuda sozinha em sua casa silenciosa, meio adormecida
em um sofá que a sustém como uma imensa mão marrom.
Eles olhariam detidamente, mas como poderiam entender
toda a tristeza e saudade que estariam pulsando
abaixo da superfície de sua pele
e nas câmaras do seu coração?

Trad.: Nelson Santander

It’s Been A Week

… of looking upward, inward, below the surface and back in time.”
—New York Times, D3, May 5, 2013

This year has been a year like that for me, you, already three
years dead and crossed over to that other place where I cannot
touch you, and I left behind looking upward to that place
where I imagined heaven is and where I hope you can feel me
missing you. NASA announces its plans to bring a piece of Mars
back to earth. I’d like to imagine I could bring back some
memento of you, though my friend tells me I have
to let you go. I read about a 23-million-year-old insect
of a previously unknown species found in Europe,
so perfectly preserved in amber that each tiny digit
of the 1.8-inch-long animal is clearly visible,
all its soft tissue intact. Sitting in my recliner now,
in our family room in the evenings, my legs elevated,
my eyes fixed firmly on the TV screen, where I watch
British mysteries, I suddenly have an image
of myself preserved in amber, tears on my cheeks,
the TV remote still solidly positioned in my hand.
What would the scientists of the future make of me?
This chubby woman alone in her silent house, half asleep
in a chair that holds her like a huge brown hand.
They would stare and stare, but how could they know
all the grief and longing that pulsed
below the surface of her skin
and in the chambers of her heart?

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