Categoria: Poema
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londrescantam todo o invernocomo se o frio fosseo maior aconchegonos parques arrancadosao trânsito automóvelnas ruas da neve negrasob um céu sempre duroos pássaros de Londresfalam de esplendorcom que se ergue o estioe a lua se derramapor praças tão sem corque parecem de panoem jardins germinandosob mantos de gelocomo se gelo forao linho…
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Matthew Olzmann – Carta à pessoa que gravou suas iniciais no mais antigo pinheiro de folha longa da América do Norte

Southern Pines, Carolina do Norte Diga-me como é viver semcuriosidade, sem sentir admiração. Navegarem águas cristalinas, desviando os olhosdos recifes de algas que ondulamabaixo de você, ignorando o cintilardas escamas de sereias no nevoeiro,olhando para o mundo e sentindoapenas tédio. Estarà beira do precipício de algum vale selvagem,as águias circulando, um rebanho de caribustrovejando lá…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Don Peterson – Compaixão

“Compaixão”, um poema de Don Peterson que transforma o adeus a um animal amado em gesto extremo de ternura, onde a morte se confunde com cuidado e fidelidade.
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Deborah Pope – Passando

Como um carro engatado,uma galinha estúpida demais para perceberque sua cabeça se foi,ou aquele som que não cessamesmo depois do filmeter caído da bobina,um telefonetocando e tocandona casa de onde todosse mudaram,através de salas onde o póse aprofunda em camadas,e o cadeado é desnecessário,assim eu continuo te amando,meu coração claudicando,um músculo entornandoo que não é…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

“Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)”, um poema de Francesco Petrarca que retrata o amor como força avassaladora e paradoxal, comparando seus efeitos ao fogo, ao sol e ao vento, e explorando a tensão entre êxtase, dor e aniquilação amorosa.
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Juan Vicente Piqueras – Como estás

Morri na última terça-feira e ninguém notou. O mundo permaneceu o mesmo, mudando e imutável.Não houve furacão, anúncio, tempestadeou nuvens por entre as quais surgisseaquele raio de luz que aparecianas capas dos catecismos. Minha filha continuou a servir-me o chá no mesmo horárioe eu continuo a sorve-lo em pequenos goles com o canudinho que ela…
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Miguel Torga – Sísifo

Recomeça…Se puderesSem angústiaE sem pressa.E os passos que deres,Nesse caminho duroDo futuroDá-os em liberdade.Enquanto não alcancesNão descanses.De nenhum fruto queiras só metade.E, nunca saciado,Vai colhendoIlusões sucessivas no pomar.Sempre a sonharE vendo,Acordado,O logro da aventura.És Homem, não te esqueças!Só é tua a loucuraOnde, com lucidez, te reconheças.
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Retrospectiva 2022

Segue abaixo uma relação dos melhores poemas publicados no blog no ano de 2022, em ordem cronológica pelo mês de postagem. Eu pretendia limitar a retrospectiva a um total de 50 textos, mas isso não foi possível. O ano foi fértil e tive a felicidade de traduzir e publicar muita coisa boa este ano, em…
