Categoria: Poema
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro,a que leva ao poder, a que esconde o mistériodo amor; a que oculta o segredo insondávelda felicidade, a que a vida te ofertapara sempre no gozo de uma visão sublime.Abre todas as portas, sem te mostrares curioso,nem dar importância às manchas de sangueque salpicam as paredes…
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Matthew Sweeney – As mariposas

As mariposas Ou o poema que começa com um verso de Diane Di Prima Na neve, as mariposas caminham rigidamente,elas nem ao menos tentam voar.Suas pegadas são cobertas à medida que são feitas,enquanto elas seguem umas às outras para casapelas frias colunas dos postes de iluminaçãopara esperar lá a chegada da luz.A cada crepúsculo há…
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César Cantoni – O Tempo Irreparável

Quem teria pensado nisso, então?O certo é que meu pai está mortocomo se nunca tivesse existido.Um dia congelaram suas mãos e os pés,e a casa se encheu de parentes,e minha mãe chorou, de joelhos, junto ao leito.Ainda me lembro. Meu pai está morto ou já não existe,e não basta agora saber que ele era feliz.Neste…
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Czesław Miłosz – Café

Daqueles que se encontravam à mesa do caféonde, no meio-dia de inverno, um jardim de gelo reluzia nas vidraças,só eu sobrevivi.Eu poderia entrar ali se quisessee, tamborilando meus dedos em um frio vazio,convocar as sombras. Com incredulidade, toco o mármore frio,com incredulidade, toco minha própria mão.Isto – é, e eu – estou em cada novo…
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Nikki Giovanni – Permissões

Eu matei uma aranhaNão uma reclusa marrom assassinaNem mesmo uma viúva negraE, pra falar a verdade,Foi apenas um tipoPequeno de aranha frágilQue deveria ter fugidoQuando peguei o livroMas ela não o fezE ela me assustouE eu a esmaguei Eu não acho queEsteja autorizada a Matar qualquer coisa Só porque estou Com medo Trad.: Nelson Santander…
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Rudy Francisco – Compaixão

“Compaixão”, um poema de Rudy Francisco que utiliza o gesto simples de poupar uma aranha para refletir sobre empatia, não violência e o desejo de ser tratado com a mesma misericórdia em situações de vulnerabilidade.
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Linda Pastan – A filha

Triste por saber que Linda Pastan – uma das minhas poetas norteamericanas favoritas – nos deixou. Ela deixa um legado imensurável à literatura americana, tendo sido uma das mais importantes e influentes poetisas de sua geração. Com sua escrita lírica e intensa, Linda Pastan capturou a essência da vida cotidiana e da alma humana, explorando…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós,morreram meus tios de sangue e por afinidade.Uma família inteira de ferreiros,marceneiros, curtidores, pedreiros,jaz agora sem forças embaixo da terra. E eu, o mais inútil de todos,o que não sabe fazer nada com as mãos,logrei sobreviver impunementepara chorar diante de uma fotoo melhor do meu sangue. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO:…
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Pat Schneider – A paciência das coisas comuns

É uma espécie de amor, não é?Como a xícara retém o chá,Como a cadeira se mantém firme sobre as quatro pernas,Como o chão recebe a sola dos sapatosOu os dedos dos pés. Como as solas dos pés sabemOnde devem estar.Tenho pensado na paciênciaDas coisas comuns, em como as roupasEsperam respeitosamente nos armáriosE o sabonete seca…
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César Cantoni – O mais digno em nós

Eu sempre achei que os ossos, com seu brilho mineralde pedra polida pela chuva, são o que de mais digno há em nós:sobrevivem longamente à putrefação indecorosa da carnee não têm a malícia nem a maldade da alma. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado no blog originalmente em 26/01/2018 César Cantoni…