Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Mary Ruefle – Desconstrução

Acho que as sereias de A Odisseia cantaram A Odisseia,pois não há nada mais atraente, mais terrível,do que a história de nossa própria vida, aquela que nãoqueremos ouvir e faremos de tudo para escutar. Trad.: Nelson Santander Deconstruction I think the sirens in The Odyssey sang The Odyssey,for there is nothing more seductive, more terrible,than…
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Randall Jarrell – O rosto

O Rosto Die alte Frau, die alte Marschallin!* Não é mais agradável, tampouco belo, Nem mesmo jovem. Este não é o meu. Onde está o antigo, os anteriores? Aqueles eram os meus. É assim: eu tenho fotos, Mas não tão antigas; as pessoas se comportavam De forma diferente antigamente… quando me encontram hoje, dizem: Você…
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Sharon Olds – Destino

Finalmente desisti e me tornei meu pai,sua face oleosa e abatida brilhando paraqualquer pessoa que eu olhasse, seus olhos castanhos-lodoem meu rosto, cintilando como chão molhado em queas coisas que amamos caíram, e se perderam para sempre. Não mais tenteinão ter o mau hálito dele,sua postura encurvada de fracasso, seu tristesexo pendurado sobre a coxa,…
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Ian Hamilton – Memorial

Quatro lápides gastas apoiam-se na parededo teu asilo Vitoriano.Além dos limites, ajoelhas-te na grama altaDecifrando nomes apagados:Velhos lunáticos que aqui morreram. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO com alterações na tradução: poema publicado anteriormente na página originalmente em 09/12/2018 Ian Hamilton – Memorial Four weathered gravestones tilt against the wallOf your Victorian asylum.Out of bounds, you kneel…
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Ellen Bryant Voigt – A cúspide

Tão poucos pássaros — os que passam o invernoe os gansos migrando pelos campos vazios,atravessando as hastes retorcidas de milho cortado:ao nosso redor, tudo o que é verde é suprimido,e na melancólica floresta, as árvores nuas,despidas de folhas ou quase sem elas,formam uma morada sombria entre nuvens baixasque têm o aspecto de neve obstinada. Em…
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO poema publicado na página…
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Jeffrey McDaniel – O mundo silencioso

Na tentativa de fazer as pessoas olharemmais nos olhos umas das outras,e também para apaziguar os mudos,o governo decidiu atribuira cada pessoa exatamente cento e sessenta e sete palavras por dia. Quando o telefone toca, coloco-o no ouvidosem dizer alô. No restaurante,aponto para a sopa de macarrão com frango.Estou me adaptando bem ao novo jeito.…
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Alison Luterman – Eu admito

Eu a perseguino mercado; sua coroade tranças de neve presa por uma grande presilha prateada,seu porte ereto, irradiando ternura,a maneira como ela colocava iogurte e abacates em sua cesta,emanando paz como a Estrela Polar.Eu queria perguntar: “Em que corredor você encontrousua serenidade, você sabecomo manter um casamento de cinquenta anos, ou como viver só,desculpe-me por…
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Francisco Brines – O Triunfo do Amor

“O Triunfo do Amor”, um poema de Francisco Brines que confronta a devastação do tempo com a persistência íntima do amor, fazendo do coração acelerado o último gesto contra o vazio duradouro.
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Charles Simic – O ausente

Alguém está chegando tarde em casa.A lâmpada deixada para ele na janelaArde à medida que o dia amanhece,E arderá ainda por muitos meses. Nossa pequena rua é escura à noite.As gaiolas são cobertas cedo.Os peixinhos dourados mal se mexem em seus aquários.Até mesmo as luzes da varanda estão apagadas, Deixando apenas a janela acesaPara as…