Eu a persegui
no mercado; sua coroa
de tranças de neve presa por uma grande presilha prateada,
seu porte ereto, irradiando ternura,
a maneira como ela colocava iogurte e abacates em sua cesta,
emanando paz como a Estrela Polar.
Eu queria perguntar: “Em que corredor você encontrou
sua serenidade, você sabe
como manter um casamento de cinquenta anos, ou como viver só,
desculpe-me por interromper, mas você parece possuir
algum conhecimento que faz a terra arder e girar em seu eixo”.
Mas não pedimos essas coisas a estranhos
hoje em dia. Então eu disse: “Adorei seu cabelo”.
Trad.: Nelson Santander
I Confess
I stalked her
in the grocery store; her crown
of snowy braids held in place by a great silver clip
her erect bearing, radiating tenderness,
the way she placed yogurt and avocadoes in her basket,
beaming peace like the North Star.
I wanted to ask, “What aisle did you find
your serenity, do you know
how to be married for fifty years, or how to live alone,
excuse me for interrupting, but you seem to possess
some knowledge that makes the earth burn and turn on its axis.”
But we don’t request such things from strangers
nowadays. So I said, “I love your hair.”

Deixe um comentário