Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Maya C. Popa – O que não foi dito

Com que frequência, dirigindo por aquelas estradas,receávamos não bater em algo,as cabras pelas quais passamos naquela manhãpastoreadas àquela hora para que os chacaisnão as matassem mais rapidamente,a gema vermelha rompendo sobre os picosenquanto corríamos contra a luz, descendo a montanha? Apenas uma vez um javali irrompeu do bosquecomo uma pergunta rapidamente retirada.Depois ficamos sozinhos outra…
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Natasha Trethewey – Blues do Cemitério

Choveu o tempo todo enquanto a deitávamos no chão;Choveu da igreja ao túmulo quando a enterramos no chão.A sucção da lama em nossos pés: uma murmuração. Quando o pregador conclamou, eu levantei a minha mão;Quando ele pediu uma testemunha, ergui a minha mão —A morte detém a lida do corpo, a alma do artesão. O…
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Andrea Cohen – Crepúsculo

Havia, enquanto caminhávamos pelas planícies salgadas ao crepúsculo,uma linha invisível entre nós –até que eu senti sua tesoura invisível. Trad.: Nelson Santander Dusk There was, as we walked the salt flats at dusk, an invisible thread between us –and then I felt her invisible scissors.
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Laura Gilpin – Vida após a morte

O que eu sei:como os vivos seguem vivendoe como os mortos seguem vivendo com eles Assim, em uma floresta,mesmo uma árvore morta projeta uma sombrae as folhas caem uma a umae os galhos se partem com o ventoe a casca se desprende lentamentee o tronco se rachae a chuva se infiltra através das rachadurase o…
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Adam Zagajewski – Amizades impossíveis

Por exemplo, com alguém que já não existe,e que deixou apenas cartas amareladas. Ou longas caminhadas à beira de um riacho,onde, no fundo, jazem ocultas xícaras de porcelana — e conversas sobre filosofiacom um tímido estudante ou um carteiro. Um transeunte de olhar altivoa quem você nunca conhecerá. Amizade com este mundo cada vez mais…
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Linda Hogan – Noite ártica, luzes cruzando o céu

Estamos entrelaçados,corpo a corpo, célula a célula,um braço sobre o outro.O mundo é um leito para a noite fria,um gato aninhado na dobra de um joelho,um cachorro aos nossos pés,minha mão na sua, estamos abraçadosna presença animal, calidez,o mar lá fora ressoandoondas de inverno, uma chegando após a outrado mistério distante,onde, no fundo do mar,habitam…
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Jaime Sabines – Sobre a Morte do Major Sabines

Primeira Parte I Deixa-me repousar,relaxar os músculos do coraçãoe colocar a alma para dormirpara poder falar,para poder recordar estes dias,os mais longos dos tempos. Mal convalescemos da afliçãoe estamos fracos, assustados,despertando duas ou três vezes do nosso escasso sonhopara ver-te na noite e saber que respiras.Precisamos despertar para estar mais despertosdeste pesadelo repleto de gente…
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Diane Seuss – [Todas as coisas agora me lembram]
![Diane Seuss – [Todas as coisas agora me lembram]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/04/house.jpg)
Todas as coisas agora me lembram de como o amor costumava ser. Taboas inchadas em lugaressolitários. Condicionador pegajoso em meus cabelos. Livros firmes. Suas variegadas lombadas.Turbilhão de palavras como um coquetel mexido, umbigo em redemoinho, pulsante asterisco.O passado é isto: ter sido jovem e desejosa e já não ser nenhuma dessas coisas.No futuro, as taboas…
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Ada Limón – Notas sobre o Subterrâneo

“Notas sobre o Subterrâneo”, um poema de Ada Limon que transforma uma caverna em interlocutora filosófica para investigar desejo, mortalidade e pertencimento.
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Joan Margarit – A moça do semáforo

Tens a mesma idade que eu tinhaquando comecei a sonhar em encontrar-te.Ignorava então, assim como tu ignoras,que o amor se transforma na arma carregadade solidão e melancoliaque aponta agora para ti em meus olhos.Tu és a moça que busqueidurante tanto tempo, quando ainda não existias.E eu o homem a quem, um dia,desejarás que oriente teus…