Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Joan Margarit – Coisas em comum

Ter-nos conhecidoem um outono num trem que ia vazio;A radiante, embora cruel,promessa do desejo.A cicatriz da melancoliae o velho afeto com o qual compreendemosos motivos do lobo.A lua que acompanha o trem noturnoBarcelona-Paris.Uma faca de luz para os crimesque por amor devemos cometer.Nossa maldita e inocente sorte.A voz do mar, que sempre te diráonde estou,…
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Nickole Brown – Susto

Deixe-me dizer — nenhum animal de longe é o mesmoque de perto. Quero dizer, uma baleia numa revista podeparecer majestosa e livre, mas o que você não vê écomo ela adormece perto demais da superfície,como a luz lhe empola a pele até deixá-la tão em carne vivaque as gaivotas rasgam sua pele queimada de sol,…
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Victoria Kennefick – Depoimento

Eu te amo como as ondas amam os penhascos.Elas lançam saias de rendas contra os rochedos,pernadas de dançarinas do can-can escalam até o topo,e voltam para o mesmo lugar; espuma se agarra – um beijo.Algumas vezes, elas levam coisas usadas para a praia;em outras, deslizam em silêncio, sem nada dizer,cavam, escondem-se no eco-escuro –esperam até…
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David Whyte – O verdadeiro amor

“O verdadeiro amor”, um poema de David Whyte que apresenta o amor como travessia íntima e corajosa, onde dizer “sim” à mão estendida é escolher viver depois de anos à deriva.
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Lucille Clifton – o que eu sei é isso

o que eu sei é isso:minha mãe enlouqueceuna casa dos meus paispor falta de carinho o que eu sei é isso:os dias de algumas mulheressão desperdiçadosnas cozinhas de suas vidasé por isso que eu sei:os deusessão homens Trad.: Nelson Santander this is what i know this is what i know my mother went mad in…
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Czesław Miłosz – Dádiva

Um dia tão feliz.O nevoeiro cedo dissipou-se, e eu trabalhei no jardim.Os Beija-Flores se detinham sobre as flores de madressilva.Não havia nada na terra que eu quisesse possuir.Eu não conhecia ninguém que valesse a pena invejar.Qualquer mal que eu tivesse sofrido, esqueci.Pensar que uma vez eu fui o mesmo homem não me envergonhava.Em meu corpo…
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Linda Pastan – Estou aprendendo a abandonar este mundo

Estou aprendendo a abandonar este mundoantes que ele possa me abandonar.Já renunciei à luae à neve, fechando minhas persianascontra as reivindicações do branco.E o mundo levoumeu pai, meus amigos.Abandonei as linhas melódicas das colinas,mudando para uma paisagem plana, dissonante.E toda noite abandono meu corpo,membro por membro, seguindoatravés dos ossos, em direção ao coração.Mas a manhã…
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Dan Gerber – Cinema Paradiso

No final de novembropalavras apareceram na ponta da minha canetacomo a resposta a uma pergunta queeu ainda não havia feito.Uma tornou-se um condor; outra,uma nuvem,enquanto uma terceira palavra, espinhosidade,ganhou vida no sonho de um cardo.O que é mais real,a neve ou a bola de neve,a palavra ou as letras que acompõe?Eu empacotei a neve, uma…
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Billy Collins – O desfile

Que emocionante foi marcharao longo das grandes avenidasdebaixo do clarão das trombetase sob todas as bandeiras tremulantes —a bandeira da ambição, a bandeira do amor. Tantos de nós fluindo ao longo do caminho —toda a humanidade, na verdade —movendo-se em perfeita sintonia,mas cada qual perdido no quarto de um sonho particular. Como é estimulante a…
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Carolyn Creedon – Mulher, minada

Na seção de cosméticos da Lord & Tayloreles a pegarão ali mesmo, bem à vista de todos, às claras, e a fotografarão com uma câmera ultravioleta,mostrando-lhe o que você fez com sua pele apenaspor viver, seu rosto subitamente exposto, como aquilo querealmente está acontecendo sob uma tora levantada, a verdadeira vocêque você é, capturada e…