Tag: Tempus Fugit
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Ted Kooser – Luz das estrelas

A noite toda, essa chuva suave do passado distante.Não admira que às vezes eu desperte como uma criança. Trad.: Nelson Santander Starlight All night, this soft rain from the distant past.No wonder I sometimes waken as a child.
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Affonso Romano de Sant’Anna – Carta aos Mortos

Carta aos Mortos, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, reflete sobre a aparente marcha do progresso e as surpreendentes permanências da experiência humana.
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Brigit Pegeen Kelly – A partida

Meu pai disse que eu não conseguiria fazê-lo,mas por toda noite eu colhi os pêssegos.O pomar estava silencioso, os canais funcionavam incessantemente.Eu era uma menina na época, meu peito era seu próprio jardim murado.Quantas são as escadas para a colheita em um pomar?Eu tinha apenas uma e uma grande paciência com as mãos acesase o…
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Lewis Carroll – Jaguadarte

Era briluz. As lesmolisas touvasRoldavam e relviam nos gramilvos.Estavam mimsicais as pintalouvas,E os momirratos davam grilvos. “Foge do Jaguadarte, o que não morre!Garra que agarra, bocarra que urra!Foge da ave Felfel, meu filho, e correDo frumioso Babassurra!” Ele arrancou sua espada vorpalE foi atrás do inimigo do Homundo.Na árvora Tamtam ele afinalParou, um dia, sonilundo.…
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Jaime Gil de Biedma – Lembre-se

Bela vida que se foi e parece já não passar Desde então, afundo em sonhos na memória: estremece eterno o tempo lá no fundo. E de repente um redemoinho cresce e me arrasta sugado rumo a um profundo abismo, para onde vai, despenhado, para sempre submergindo o passado. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado no…
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Nelson Ascher – Visita ao asilo

Subsistem devagar nojardim da última infânciasorvendo desdentadosde vida (além de dentes) o caldo-de-galinhahospitalar dos dias.Opacas as retinase os tímpanos à prova de som, eles combinamremorsos de placentadensos de urina e restosmortais que, amortalhados folgadamente em peloacima do seu número,apegam-se obsessivosaos ossos descalci- ficados como, à ideiade podre, os urubus.Sinapse piedosaque, entre neurônios secos, censura todo…
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Joan Margarit – Coisas em comum

Ter-nos conhecidoem um outono num trem que ia vazio;A radiante, embora cruel,promessa do desejo.A cicatriz da melancoliae o velho afeto com o qual compreendemosos motivos do lobo.A lua que acompanha o trem noturnoBarcelona-Paris.Uma faca de luz para os crimesque por amor devemos cometer.Nossa maldita e inocente sorte.A voz do mar, que sempre te diráonde estou,…
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Lucille Clifton – o que eu sei é isso

o que eu sei é isso:minha mãe enlouqueceuna casa dos meus paispor falta de carinho o que eu sei é isso:os dias de algumas mulheressão desperdiçadosnas cozinhas de suas vidasé por isso que eu sei:os deusessão homens Trad.: Nelson Santander this is what i know this is what i know my mother went mad in…
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Carolyn Creedon – Mulher, minada

Na seção de cosméticos da Lord & Tayloreles a pegarão ali mesmo, bem à vista de todos, às claras, e a fotografarão com uma câmera ultravioleta,mostrando-lhe o que você fez com sua pele apenaspor viver, seu rosto subitamente exposto, como aquilo querealmente está acontecendo sob uma tora levantada, a verdadeira vocêque você é, capturada e…
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Donizete Galvão – Ruminações

Nunca saí dessa roceira Minasque nos dá aflição e dor como herança.Lamaçal de bosta de vacano curral bem em frente da casa.Cheiro de leite azedo nos latõese de óleo queimado para expulsar bernes.Jardins de dália e corações magoados,chás de consolda e escaldados de quirera.A avó socando o arroz no pilão,preparando decoada para o sabãoou com…