Tag: Memória
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Manuel António Pina – Os Mortos

Eu sei, é preciso esquecer, desenterrar os nossos mortos e voltar a enterrá-los, os nossos mortos anseiam por morrer e só a nossa dor pode matá-los. Tanta memória! O frenesim escuro das suas palavras comendo-me a boca, a minha voz numerosa e rouca de todos eles desprendendo-se de mim. Porém como esquecer? Com que palavras…
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Rui Pires Cabral – Nunca se Sabe

Papéis velhos com poemas: são o joio das gavetas. Relê-los causa aversão e uma espécie de tristeza arrependida – são tão nossos como as más recordações e ainda vemos a circunstância precisa, a causa, a ferida, por detrás de cada um. Mas na altura havia esperança: é isso que representam. Não pelas coisas que dizem…
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Pedro Mexia – Paráfrase

Este poema começa por te comparar com as constelações, com os seus nomes mágicos e desenhos precisos, e depois um jogo de palavras indica que sem ti a astronomia é uma ciência infeliz. Em seguida, duas metáforas introduzem o tema da luz e dos contrastes petrarquistas que existem na mulher amada, no refúgio triste da…
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Joan Margarit – Espaço e Tempo

E de repente a casa é demasiado grande. Tua mãe e eu esvaziamos teus armários e seguimos por mesas e prateleiras, de retrato em retrato, teus sorrisos. À noite os espelhos, sob a luz elétrica, expõem com mais ênfase o teu vazio. Os móveis são agora mais escuros. Pela escada desce a cálida balaustrada que…
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Miriam Reyes – Imóvel

abandonado a teu peso de homem imóvel olhas-me com antiquíssimos ressentimentos. Ouve-me bem: sou inocente de teu passado não sou a tua puta mãe nem a tua enferma mãe nem a tua louca mãe embora seja uma puta louca. Não mereço receber agressões alheias, atrasadas e caducas. Não projetes em mim os fantasmas de tua…
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Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá…



