Tag: Memória
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Jaime Gil de Biedma – Lembre-se

Bela vida que se foi e parece já não passar Desde então, afundo sonhos na memória: estremece a eternidade do tempo lá no fundo. E de repente um redemoinho cresce e me arrasta sugado para um profundo abismo, para onde vai, despenhado, para sempre dissipando-se o passado. Trad.: Nelson Santander Jaime Gil Biedma – Recuerda…
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Jorge Teillier – Blue

Verei novos rostos Verei novos dias Serei esquecido Terei remembranças Verei sair o sol quando sai o sol Verei cair a chuva quando chove Andarei a esmo De um lado a outro Aborrecerei meio mundo Contando a mesma história Me sentarei para escrever uma carta Que não me interessa enviar Ou para olhar as crianças…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Os Erros

A confusão a fraude os erros cometidos A transparência perdida — o grito Que não conseguiu atravessar o opaco O limiar e o linear perdidos Deverá tudo passar a ser passado Como projecto falhado e abandonado Como papel que se atira ao cesto Como abismo fracasso não esperança Ou poderemos enfrentar e superar Recomeçar a…
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A. M. Pires Cabral – Pirilampos III

Mas também estes negadores das trevas desertaram: Já não se vêem pirilampos, o seu lume deixou de desmentir a escuridão. Apagaram a lanterna, retiraram para um lugar qualquer onde talvez já não valha a pena alumiar – algures entre o frio e o esquecimento (se é que frio e esquecimento não são nomes alternativos da…
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Isabel Bono – O futuro acabará por chegar

desperdiçávamos o tempoorganizando num álbum as fotos do verãopara um dia olhá-las com nostalgia acumulávamos bolinhas de gude pedraslivros cartas poemas adiávamos assim a felicidade, a vida ainda não sei por quêainda não sei para quando Trad.: Nelson Santander El Futuro Acabará por Llegar malgastábamos el tiempo ordenando en un álbum las fotos del verano…
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Alberto Caeiro – Poema XLIII (“Antes o voo da ave”)

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto, Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão. A ave passa e esquece, e assim deve ser. O animal, onde já não está e por isso de nada serve, Mostra que já esteve, o que não serve para nada. A recordação é…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós,morreram meus tios de sangue e por afinidade.Uma família inteira de ferreiros,marceneiros, curtidores, pedreiros,jaz agora sem forças sob a terra. E eu, o mais inútil de todos,o que não sabe fazer nada com as mãos,consegui sobreviver impunementepara chorar diante de uma fotoo melhor do meu sangue. Trad.: Nelson Santander Album…
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António Franco Alexandre – Quero dizer-te: não morras

quero dizer-te: não morras. Nem me digas quem és, quem foste, como sabes a língua que se fala sobre a terra. Ao lume lanço toda a vontade de viver, ser vivo, a cautela do ar, ardendo em torno. Passarei, terás passado em mim, só quero dizer-te: não morras nunca, agora, nunca mais.
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Albano Martins – Lembra-te

Leia “Lembra-te”, de Albano Martins, um poema breve e intenso sobre memória, passagem do tempo e os caminhos inevitáveis da existência.
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Hilda Hilst – Obriga-me

E por que haverias de querer minha alma Na tua cama? Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas Obscenas, porque era assim que gostávamos. Mas não menti gozo, prazer, lascívia Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro. E te repito: por que haverias De querer minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de…